A noite desta quinta-feira (16) foi de cheiro de pipoca e muita emoção na localidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. Em uma parceria entre o Voz das Comunidades e o Instituto Imperatriz Leopoldinense, o projeto Cinema no Morro voltou a ocupar os espaços públicos da comunidade, reunindo cerca de 400 crianças da região e de diferentes projetos sociais em duas sessões gratuitas ao ar livre.

A ansiedade pela volta das telas na favela era tanta que os ingressos para a primeira sessão, às 18h, que exibiu a animação Zootopia 2, esgotaram rapidamente. Às 20h, mais 200 crianças lotaram o espaço para assistir ao filme Como Mágica, consolidando o sucesso da iniciativa.
Brilho nos olhos e voluntariado
Por trás da tela esticada e da logística para garantir a diversão de centenas de pequenos, o trabalho voluntário é o que faz a engrenagem girar. Cria do Alemão, as gêmeas Raissa e Taissa Goes, de 20 anos, doam seu tempo ao Voz das Comunidades há cinco anos e descrevem o sentimento de ver a praça cheia. “É um sentimento tão bom você ter a oportunidade de ajudar o próximo sem querer nada em troca. Só o brilho dos olhos dessas crianças já faz tudo valer a pena”, emociona-se Raissa.

Sua irmã, Taissa, destaca o impacto social da ação, principalmente no período de recesso escolar, quando as opções de lazer acessíveis são escassas para as famílias da comunidade. “Vem garotada de todas as partes, elas ficam ansiosas por esse momento. Não é só o filme na tela, é a pipoca, o refrigerante, é o sentimento de se sentirem parte de um evento feito para elas. Muitas famílias aqui não têm condições financeiras de pagar um ingresso de cinema e o transporte. Ver um cinema ao ar livre na própria comunidade é emocionante”, conta.
Tela grande na porta de casa
Para quem vive na comunidade, a iniciativa representa mais do que entretenimento, é a oportunidade de criar memórias em um ambiente seguro e integrado. A moradora Joicy Gomes fez questão de levar seus três filhos para assistir ao filme e celebrou a facilidade do acesso. “Poder trazer meus filhos para assistir ao filme aqui pertinho é algo grandioso. Eles amam cinema, mas na correria do dia a dia e com as despesas não dá tempo de ir ao shopping. Só tenho a agradecer e torcer para que aconteça muito mais vezes”, comemora Joicy.

A retomada do Cinema no Morro reforça a missão do Voz das Comunidades e do Instituto Imperatriz Leopoldinense de democratizar o acesso à cultura nas favelas cariocas, transformando as ruas em salas de projeção, sorrisos e pertencimento.
