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Um ano sem Herus: família e moradores seguem à espera de justiça após morte em operação policial no Santo Amaro

O jovem participava de uma tradicional festa junina na comunidade quando foi atingido durante uma ação do Bope.

Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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No dia 7 de junho de 2025, uma tradicional festa junina realizada no Morro Santo Amaro, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi interrompida por uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Em meio à correria, tiros e desespero de centenas de moradores, o jovem Herus Guimarães Mendes, de 24 anos, foi baleado e morreu. Outras cinco pessoas ficaram feridas. Um ano depois, familiares, amigos e moradores ainda cobram respostas e justiça.

Segundo relatos de moradores e testemunhas ouvidas na época, os agentes entraram na comunidade durante a apresentação de quadrilhas juninas, que reunia famílias, crianças e idosos. Moradores afirmaram que não houve confronto antes dos disparos e que a ação gerou pânico generalizado.

Logo após a morte do jovem, centenas de moradores saíram às ruas com cartazes e mensagens que estampavam uma frase que se tornou marca da mobilização: “Favelado não é bandido”. O ato reuniu familiares, lideranças religiosas e integrantes da comunidade, que denunciaram o impacto da operação e cobraram responsabilização dos envolvidos.

Foto: Reprodução

Um ano de saudade e cobrança

Neste sábado (7), data que marcou um ano da morte de Herus, familiares e amigos se reuniram na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Glória, para uma celebração em sua memória. O encontro foi marcado por homenagens, orações e pedidos por justiça. Entre lágrimas e lembranças, parentes reforçaram que a ausência de Herus continua sendo sentida diariamente por todos que conviviam com ele.

Durante o último ano, o caso avançou nas investigações. Em dezembro de 2025, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou dois policiais do Bope pelo homicídio qualificado de Herus. Segundo a denúncia, imagens das câmeras corporais indicam que o jovem estava desarmado e de costas quando foi atingido. O Ministério Público também apontou que a operação foi mantida mesmo diante da realização da festa junina e dos riscos para a população presente.

A denúncia representou um marco para a família, que desde o início contestou a versão policial apresentada após a operação. Os promotores solicitaram medidas cautelares contra os agentes denunciados e defenderam a responsabilização dos envolvidos.

Foto: Reprodução

O caso que marcou o Rio

Herus trabalhava como office boy, era pai de uma criança de dois anos e, segundo familiares, não possuía qualquer envolvimento com atividades criminosas. Na noite da operação, ele participava das festividades na comunidade quando foi atingido pelos disparos. Sua morte gerou repercussão nacional e levantou questionamentos sobre protocolos de operações policiais realizadas em áreas densamente povoadas e durante eventos comunitários.

Um ano depois, moradores do Santo Amaro afirmam que a dor permanece viva. Para a comunidade, a data não representa apenas a lembrança de uma tragédia, mas também a continuidade da luta para que o caso não seja esquecido.

Enquanto familiares acendem velas, fazem orações e mantêm viva a memória de Herus, a principal pergunta segue sem uma resposta definitiva, quando haverá justiça para o jovem que saiu para uma festa junina e nunca voltou para casa?

Foto: Reprodução
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