As principais vítimas das operações policiais que acontecem nas favelas são os moradores. E na megaoperação que atinge os Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, não é diferente. Entre os diversos confrontos que acontecem dentro da favela, os moradores acabam ficando na linha de tiro, podendo virar alvo de balas perdidas. Além do medo constante, há o risco real de perder a própria vida ou sofrer ferimentos graves dentro de casa, sem qualquer envolvimento nos conflitos.
O Voz das Comunidades recebeu inúmeros relatos de moradores ao longo da manhã turbulenta. Disparos atingiram casas, destruíram móveis e deixaram um rastro de danos materiais. Moradores relataram que os intensos tiroteios os obrigaram a se trancar em casa por horas, impossibilitando até mesmo atividades básicas, como ir ao trabalho, levar os filhos à escola ou buscar atendimento médico.
Uma moradora gravou um vídeo que mostra o impacto de um disparo dentro de sua própria residência. A bala atravessou a parede do quarto e parou na TV, deixando um rastro de destruição e desespero.
Maria Irismar, moradora da região conhecida como Chuveirinho há 50 anos, viveu momentos de terror durante a megaoperação policial que atingiu a comunidade. Costureira, ela viu sua casa ser atingida por vários disparos, que perfuraram janelas, paredes e até seus aparelhos eletrônicos. O medo e a sensação de impotência tomaram conta do lar onde construiu sua vida.
Agora, além do trauma, Dona Maria precisa lidar com os prejuízos materiais. Sem condições de arcar sozinha com os reparos, ela pretende organizar uma vaquinha online para tentar recuperar sua casa e retomar sua rotina.
Na megaoperação, entre o barulho incessante dos disparos, moradores clamaram por paz. Das suas janelas, agitaram panos brancos em um gesto desesperado, alertando os agentes da polícia militar de que estavam na linha de tiro.