Na noite de 27 de agosto, o artista independente, educador e ativista de direitos humanos Oju Rezende e seu vizinho, Kûara Martins, foram brutalmente agredidos dentro de casa, em Santa Teresa, zona central do Rio de Janeiro. Amarrados, espancados com chutes e pauladas, ouviram ameaças de morte e ofensas racistas e homofóbicas enquanto tentavam resistir.
“Bate até morrer! Mata logo esse v…!”, gritavam os agressores. O episódio deixou cicatrizes físicas e emocionais, além de uma sensação permanente de medo e insegurança.
Segundo Oju, a violência sofrida não foi um episódio isolado. Antes do ataque, ele e o vizinho já vinham enfrentando intimidações e ameaças ligadas as propriedades onde moravam de aluguel. Câmeras de segurança chegaram a ser instaladas para proteção, mas algumas foram destruídas durante a invasão.

“Fomos a 7º DP para registrar as ameaças e fomos ridicularizados, tratados sem qualquer seriedade. Tivemos que insistir para registrar em outra delegacia, no centro da cidade, crimes como extorsão e ameaça. Já na 5ª DP, depois da agressão, só aceitaram registrar lesão corporal, e não tentativa de homicídio, que foi o que realmente aconteceu”, relata Oju.
O ativista acusa os supostos locadores do imóvel de promover uma prática recorrente de extorsão contra inquilinos anteriores. “Quando eles perceberam que estávamos nos movimentando com advogado e documentos para contestar a situação, partiram para as ameaças. Não somos ingênuos, sabíamos que havia algo estranho, mas não imaginávamos que a violência chegaria a esse nível”, diz.
Desabrigados após o ataque, Oju e seu vizinho contam que estão vivendo de forma provisória, acolhidos por amigos, enquanto arcam com gastos elevados com advogados, segurança e bens perdidos. Sem apoio institucional, pedem ajuda financeira e, principalmente, visibilidade.
“Não fomos tratados como vítimas pela polícia. Estamos expostos, vulneráveis, mas vivos e não vamos nos calar. Queremos justiça, responsabilização dos agressores e proteção para seguir nosso trabalho. O que precisamos agora é que essa história não seja abafada. Que seja compartilhada, denunciada e investigada com seriedade”, conclui.
O Voz das Comunidades entrou em contato com a Polícia Civil, responsável pela investigação. Até o fechamento da matéria, não obteve resposta.
Impacto nos projetos sociais
Além do trauma pessoal, Oju destaca o impacto direto em sua atuação cultural. Fundador da Agência Perlífera, laboratório cultural criado em 2018 na Rocinha, o artista desenvolve projetos de arte e educação que já impactaram milhares de pessoas em favelas do Rio. Ele também ministra oficinas de teatro no centro da cidade, atividade que hoje considera ameaçada.
“Meus alunos são majoritariamente jovens negros e de favela. Mas agora, o próprio espaço do curso, que fica a poucos metros de onde fomos atacados, deixou de ser seguro para mim. A violência não ameaça só a minha vida, mas também o trabalho que construímos com tanto esforço para transformar realidades”, afirma.
Oju disponibilizou uma chave Pix ([email protected]) para arrecadar recursos que ajudem a custear despesas com segurança, advogados e reconstrução de sua vida.
