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Rio passa a ter nova plataforma digital que integra dados sobre violência contra a mulher

Ferramenta junta informações da polícia, saúde e Justiça e chega no mesmo mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos

XII MARCHA DAS MULHERES NEGRAS
FOTO: UENDELL VINÍCIUS
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O Rio de Janeiro passou a contar, nesta quarta-feira (12), com uma plataforma que reúne num só lugar as informações sobre a violência contra as mulheres no estado. É a primeira vez que isso acontece por aqui. Até agora, cada órgão guardava os seus números separados. A polícia tinha os dados dos casos denunciados. Os hospitais e postos de saúde tinham os registros das mulheres que chegavam machucadas. A Justiça tinha os processos e as medidas protetivas. Cada um de um lado, sem conversar entre si.

Com a nova ferramenta, esses números passam a ficar juntos. Isso se chama cruzar dados. Na prática, é como juntar as peças de um quebra-cabeça para enxergar o desenho inteiro. Quando as informações ficam espalhadas, o poder público enxerga só um pedaço do problema. Quando elas ficam reunidas, dá para ver melhor onde a violência mais acontece, quantas mulheres estão sendo agredidas e o que está falhando no atendimento a elas.

Por que juntar os dados muda alguma coisa?

Existe um buraco grande entre o que acontece e o que vira denúncia, e os números mostram isso com clareza. Só neste ano, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o estado do Rio registrou quase 30 mil violações contra mulheres. Mas apenas cerca de 3,6 mil viraram protocolo formal de denúncia. Ou seja, a maior parte dos casos não chega à delegacia.

Muita gente que mora nas comunidades já sabe disso na prática. Muitas mulheres chegam ao hospital ou ao posto machucadas sem nunca ter feito uma queixa na polícia. Esses casos não entram na conta da segurança pública, mas entram na conta da saúde. Quando os dois lados são juntados, o retrato fica mais perto da realidade e fica mais difícil o problema ser escondido.

A ideia do governo é usar esse retrato para decidir onde colocar mais delegacias da mulher, mais abrigos, mais equipes de atendimento e mais rondas de proteção. O estado já vinha caminhando nessa direção. No ano passado, a Secretaria de Estado da Mulher criou o Observatório do Feminicídio, feito em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, que também reúne informações da saúde, da segurança e da Justiça em painéis abertos ao público, com linguagem simples.

Vinte anos de Lei Maria da Penha

O lançamento acontece num momento simbólico. A Lei Maria da Penha, principal lei brasileira de proteção às mulheres, completou 20 anos no dia 7 de agosto. Ela leva o nome de Maria da Penha Maia Fernandes, uma mulher que ficou paraplégica depois de ser baleada pelo próprio marido dentro de casa e que lutou durante anos até ver o agressor ser punido. A lei nasceu dessa luta. Foi ela que tornou o castigo mais duro para quem agride mulher dentro de casa e que criou as medidas protetivas, aquelas ordens da Justiça que proíbem o agressor de chegar perto da vítima.

Vinte anos depois, os números mostram que ainda há muito o que fazer. Mulheres continuam sendo agredidas e mortas todos os dias no país, e a maior parte dos casos acontece dentro de casa, com o companheiro ou o ex. A violência também mudou de cara e agora aparece muito na internet. O relatório mais recente do Instituto de Segurança Pública, o Dossiê Mulher, trouxe pela primeira vez um capítulo só sobre violência digital e apontou mais de 19 mil mulheres atingidas por esse tipo de agressão no estado em 2025. São ameaças, xingamentos, exposição de fotos íntimas e perseguição pelo celular.

Por isso, especialistas lembram que reunir dados é um passo, mas não resolve sozinho. É preciso que essa informação vire ação de verdade nas ruas e nos bairros onde as mulheres moram.

Onde pedir ajuda

Se você está passando por isso ou conhece alguém nessa situação, saiba que existe ajuda e que ela é gratuita. Em caso de perigo naquele momento, ligue 190, que é o telefone da Polícia Militar. Para denunciar, tirar dúvidas ou pedir orientação, ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher. A ligação é de graça, funciona 24 horas e você não precisa dizer o seu nome. Também é possível procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, conhecida como DEAM. O estado ainda oferece o aplicativo Rede Mulher, que tem um botão de emergência que aciona a polícia e envia a localização de quem está em risco.

Denunciar é um direito seu, e nenhuma mulher precisa passar por isso sozinha.

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