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Rene Silva participa de lançamento do e-book do eMuseu das Favelas no Rio

Evento no IAB celebrou a democratização das narrativas periféricas através de acervo digital, hologramas e experiências imersivas de nove favela cariocas.

Foto: Reprodução
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O Rio de Janeiro assistiu, na última quarta-feira (18), a um encontro histórico entre o passado ancestral das favelas e o futuro tecnológico. No Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB), localizado no Flamengo, o lançamento do e-book “eMuseu das Favelas” consolidou um trabalho de anos dedicado a tirar as narrativas das periferias do campo da invisibilidade para colocá-las no centro do mapa cultural e digital do Brasil.

O evento não foi apenas uma formalidade literária, mas uma celebração da identidade “cria”. Representantes do Jacarezinho, Complexo do Alemão, Maré, Mangueira, Manguinhos, Pavão-Pavãozinho-Cantagalo (PPG), Rocinha, Santa Marta e Providência ocuparam o espaço para validar uma obra construída a muitas mãos.

O Holograma de uma Trajetória: Rene Silva

Um dos momentos mais emblemáticos da noite foi a participação de Rene Silva, fundador do Voz das Comunidades. Rene, que começou sua jornada no jornalismo comunitário aos 11 anos, agora faz parte do acervo permanente do museu em formato de holografia.

“Hoje é um dia muito especial, principalmente para quem nasceu na favela e para quem pesquisa esses territórios”, afirmou Rene. Para ele, o projeto permite uma abertura sem precedentes: “Eu também virei um holograma pela primeira vez e estou contando coisas que eu nunca tinha falado antes. O livro materializa e eterniza essas histórias. Nós estamos de passagem, mas outras pessoas vão dar continuidade ao que estamos construindo”.

A Favela em Bits

O e-book detalha como o eMuseu das Favelas conseguiu transpor a complexidade urbana para o ambiente virtual. Com um acervo robusto de 172 vídeos e 46 fotografias, a iniciativa utiliza recursos de ponta para atrair as novas gerações e curiosos do mundo todo:

  • Simuladores de Realidade: Um simulador de moto permite que o visitante experimente a agilidade e a geografia das ladeiras das favelas, enquanto um simulador de grafite, apoiado por Inteligência Artificial, permite que qualquer pessoa crie artes digitais inspiradas nos murais das comunidades.
  • Holografia e Voz: Nove territórios são representados por vozes reais que, em formato de holograma, guiam o visitante por um passeio histórico e cultural.
  • Acesso Global: Por ser um museu digital, a história da Mangueira ou do Alemão pode ser acessada em Tóquio ou Londres com a mesma facilidade que no Rio de Janeiro.

Diferente de museus tradicionais, onde o olhar externo define o que é arte ou história, o eMuseu das Favelas apostou na metodologia colaborativa. Bianca Gama Pena, gestora do projeto, enfatizou que o e-book é uma ferramenta educativa que revela os bastidores desse processo. “É sobre dar voz aos protagonistas. O registro desse trabalho que une o físico, o virtual e o game interativo é uma entrega para que a população conheça a experiência prática da nossa cultura”, destacou.

A urbanista Ruth Jurberg reforçou que o projeto coroa um processo democrático, garantindo que o resgate da memória não seja um ato imposto, mas uma construção coletiva de moradores que decidiram como queriam ser vistos pelo mundo.

Luz sobre o Talento

O apoio da iniciativa privada, através da Light, também foi destaque. Giovanna Curty, superintendente de Comunicação e Sustentabilidade da empresa, pontuou que o investimento em cultura e memória é fundamental para o desenvolvimento social. “O projeto ilumina não apenas as ruas, mas os talentos que fazem parte do nosso território”, afirmou, reforçando que ver histórias refletidas em espaços de prestígio é uma forma poderosa de empoderamento para jovens e adultos das favelas.