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Raio-x da Vida Real: Data Favela lança pesquisa com pessoas em situação de crime

Este é o maior levantamento realizado na história com pessoas em situação de crime no Brasil e fora dele

Foto: Divulgação / Data Favela
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Nesta segunda-feira (17), o Data Favela realiza, ao vivo pelo Instagram, o lançamento da pesquisa “Raio-X da Vida Real”, o maior e mais completo estudo já feito com pessoas em situação de crime de tráfico em atividade na história do país.

Pela primeira vez, os próprios protagonistas dessa atividade foram ouvidos de forma direta e sistemática. Foram realizadas 3.954 entrevistas presenciais válidas, em favelas de 23 estados brasileiros, com perguntas amplas sobre família, filhos, amor, relações afetivas, escolaridade, saúde mental, trabalho, renda, sonhos e visão de mundo.

A novidade da pesquisa está no fato de que é a primeira vez que os acusados são tratados como sujeitos de fala em um estudo dessa dimensão, expressando suas percepções sobre temas humanos e cotidianos. A pesquisa traz ao debate público uma camada de escuta que nunca aparece nas narrativas tradicionais sobre criminalidade.

O Data Favela foi a campo com sua rede de pesquisadores de favela para captar essas percepções e compreender como essas pessoas vivem, pensam e projetam o futuro. O estudo oferece dados fundamentais para discussões sobre políticas públicas, desigualdade social, juventude e reinserção social.

O mapeamento mostra que a maior parte das pessoas entrevistadas atua em posições operacionais. Entre os respondentes, 63% declararam ganhar até dois salários-mínimos, enquanto 82% afirmam ter renda instável, dependente de ganhos diários.

O acesso ao sistema financeiro é limitado: 67% não possuem conta bancária, carteira digital ou produtos formais, e 74% recorrem ao crédito informal como principal alternativa. Apenas 9% conseguiram guardar qualquer quantia nos últimos 12 meses, e 62% relatam que o dinheiro recebido “não dura uma semana”. O levantamento também identificou que 36% mantêm um segundo trabalho legal, principalmente em atividades como construção civil, serviços gerais, entregas, comércio informal e pequenos reparos. Mesmo entre esses casos, a atividade ilegal permanece como principal fonte de renda para a maior parte deles.

Em relação à trajetória pessoal, 71% dizem que quase toda a renda que recebem circula dentro da própria favela. O estudo também aponta que 58% têm filhos, e 64% afirmam participar diretamente do cuidado diário. Sobre escolaridade, o grupo apresenta concentração no ensino fundamental: 53% não concluíram essa etapa, enquanto apenas 4% chegaram ao ensino superior.

Durante a transmissão, também será lançado Humanos, o novo livro de Celso Athayde, fundador da CUFA, Presidente do Conselho do Data Favela e CEO da Favela Holding, com reflexões sobre a pesquisa.

O Instagram do Data Favela disponibilizará um link de cadastro para que todos possam receber a pesquisa na íntegra, bem como o exemplar do livro. Após o preenchimento do formulário e o ato de seguir o perfil, o público receberá o link para download. Para saber mais, entre em contato com o Data Favela em suas redes, @datafavela.