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Pulmão do subúrbio largado: Completando 61 anos, situação do Parque Ary Barroso, na Penha, é ainda precária

Em dezembro, movimentos sociais, moradores e representantes de entidades civis realizaram uma ação simbólica denunciando dentro do parque

Ato simbólico ocorreu final do ano passado Foto: Samantha Millan / Voz das Comunidades
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Conhecido como o “pulmão do subúrbio”, o Parque Municipal Ary Barroso, localizado na Penha, na Zona Norte do Rio, completou 61 anos no sábado, 13 de dezembro, em meio a um cenário de abandono, descaso e ausência do poder público. Considerado o parque mais antigo da Leopoldina, o espaço, que deveria cumprir função ambiental, social e cultural, hoje apresenta portões fechados com cadeados, acúmulo de lixo e falta de sinalização. 

Para marcar o aniversário e denunciar a situação, movimentos sociais, moradores e representantes de entidades civis realizaram uma ação simbólica dentro do parque. O ato reuniu apresentações culturais, atividades esportivas e um abraço coletivo, com o objetivo de chamar atenção para a necessidade urgente de revitalização. 

Um parque histórico, hoje fechado à população 

Atualmente, a porta principal do Parque Ary Barroso permanece trancada, sem qualquer placa informativa com o nome do espaço ou horários de funcionamento. Na parte mais alta do parque, o lixo se acumula e a falta de manutenção é visível. Além disso, áreas que antes eram destinadas ao lazer passaram a ser utilizadas como estacionamento de viaturas da Polícia Militar. 

Foto: Samantha Millan

“Esse portão fechado é muito simbólico”, afirma Arthur Lucena, morador das Quatro Bicas e líder do movimento Ary Barroso Livre. Frequentador do parque há mais de dez anos, ele explica que o fechamento se intensificou após a ocupação militar da região. “Antes, mesmo com a UPA instalada aqui desde 2008, o parque seguia aberto. Depois que virou base para operações de segurança, começou a fechar”, relata. 

Mobilização popular e cobrança por respostas 

Criado há cerca de um ano, o movimento Ary Barroso Livre reúne iniciativas ambientais, culturais e de direitos humanos. A proposta é construir um calendário de ações para 2026, estimulando o uso do parque e pressionando o poder público. “Esse evento mostra as várias formas de ocupar o parque: música, poesia, esporte, cultura indígena. Tudo isso já acontece aqui, mas precisa de apoio”, diz Arthur. 

Foto: Samantha Millan / Voz das Comunidades

Entre as principais reivindicações estão a reabertura dos portões, a instalação de iluminação, acessibilidade, retorno das cascatas, importantes em períodos de calor extremo, e a retirada de estruturas provisórias de segurança. Segundo o movimento, há desde 2019 uma determinação do Ministério Público para que unidades policiais deixem o interior do parque, por se tratar de área ambiental. 

“É o coração da Leopoldina” 

A mobilização contou com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Leopoldina. Para a Comissão de Direito Ambiental, o Parque Ary Barroso é estratégico para a região. “Esse parque é o coração da Leopoldina. Em um momento de crise climática, precisamos cuidar das áreas verdes que já existem”, afirma Andrea Neves, presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB Leopoldina.  

Foto: Samantha Millan / Voz das Comunidades

Segundo ela, não se trata apenas de criar novos espaços, mas de preservar os históricos. “É o parque mais antigo do subúrbio. O mínimo pode ser feito: placa informativa, portões abertos e iluminação”, defende. 

Memória, afeto e abandono 

Moradores antigos acompanham com tristeza a transformação do parque. Um deles, Edesio Souza de 72 anos, relembra que criou a filha no local e que os netos também frequentavam o espaço. “Isso aqui sempre foi da comunidade. Escolas vinham, tinha aulas de luta, atividades do Corpo de Bombeiros. Hoje é abandono total”, lamenta. 

Foto: Samantha Millan / Voz das Comunidades

Ele destaca que a presença constante de viaturas e policiais armados afastam os frequentadores. “Um parque não é lugar para isso. Já houve decisões do Ministério Público para retirar essas estruturas daqui, mas ninguém cumpre”, afirma. 

Futuro em disputa 

Enquanto o poder público se mantém em silêncio ou transfere responsabilidades entre prefeitura e governo do estado, a sociedade civil segue mobilizada. Para os movimentos sociais do território, a revitalização do Parque Ary Barroso não é apenas uma questão ambiental, mas de direito à cidade, memória e qualidade de vida. 

“A gente não quer o parque sem segurança”, reforça Arthur. “Queremos o que existe em outros parques municipais: Guarda Municipal, apoio da PM e iluminação. O parque precisa voltar a ser da população.” 

Após 61 anos de história, o Parque Municipal Ary Barroso segue como símbolo de resistência e de uma disputa urgente entre abandono e possibilidade de futuro. 

Muito lixo acumulado no parque Foto: Samantha Millan / Voz das Comunidades

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