A Prefeitura do Rio de Janeiro já está de olho no futuro e se preparando para os possíveis efeitos de um super El Niño que pode chegar com força total a partir de outubro. O prefeito Eduardo Cavaliere reuniu a imprensa na última segunda-feira (20) para mostrar como a cidade está se organizando para enfrentar o aumento das temperaturas e as chuvas intensas que esse fenômeno climático pode trazer para a capital fluminense.
Segundo as projeções apresentadas no Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), existe 81% de chance de o El Niño ser muito forte entre outubro, novembro e dezembro, podendo seus efeitos se estenderem até o verão. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que mexe com o clima em todo o planeta. Aqui no Rio, isso significa dias mais quentes e mudanças no regime de chuvas.
“Estamos antecipando a preparação que a cidade já faz todos os anos para lidar com o verão, porque esse é um dos efeitos desse super El Niño”, explicou o prefeito. “Somos uma cidade de clima tropical, úmido, com chuvas intensas, com calor intenso. Não conseguimos impedir que o El Niño tenha efeitos sobre o clima do Rio, mas estamos fazendo grandes obras de infraestrutura para minimizar os impactos.”
Mais de 50 órgãos trabalhando juntos
A cidade não está parada. Mais de 50 órgãos e agências municipais estão atuando de forma integrada, apoiados por sistemas de monitoramento em tempo real e cerca de 50 protocolos operacionais. Isso significa que diversas áreas da Prefeitura estão conversando entre si e se preparando para agir rápido caso algo aconteça.
O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, monitorando o clima de perto. A cidade conta com radares próprios, pluviômetros (aparelhos que medem a quantidade de chuva), estações meteorológicas e sistemas que acompanham núcleos de chuva, raios e riscos de deslizamentos. Tudo isso para que a Defesa Civil e os outros órgãos possam agir o mais rápido possível.

Obras em comunidades e áreas mais sensíveis
O prefeito destacou que as obras estão sendo feitas principalmente nas áreas mais sensíveis da cidade, como Jardim Maravilha, Acari, Maré, Rocinha e Realengo. Essas regiões são mais sujeitas a eventos extremos e, por isso, estão recebendo atenção especial.
Em Realengo, por exemplo, estão sendo construídos dois piscinões (reservatórios que acumulam água da chuva para evitar enchentes). Um deles já está em andamento e outro está em fase de projeto de expansão. Essas obras fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e vão ajudar a proteger a população quando as chuvas fortes chegarem.
Como a cidade vai lidar com o calor extremo
O Rio de Janeiro é uma cidade quente, e o El Niño pode deixar as coisas ainda mais complicadas. Por isso, a Prefeitura criou em 2024 o Protocolo de Calor, um sistema que monitora os impactos das altas temperaturas e define níveis de mobilização. A ideia é proteger principalmente as pessoas mais vulneráveis, como crianças, idosos e moradores de rua.
O sistema é tão bem planejado que já ganhou até um prêmio internacional, o Bloomberg Philanthropies Mayors Challenge. Ele funciona com cinco níveis de risco, do Calor 1 ao Calor 5, definidos pelo índice de calor (que combina temperatura e umidade). A cada mudança de nível, o Centro de Operações avisa a população pelos canais oficiais.
Parques e áreas verdes ajudam a refrescar a cidade
Uma das maneiras mais eficientes de combater o calor é ter mais árvores e áreas verdes. A Prefeitura tem investido pesado nisso. O programa Refloresta Rio já plantou mais de 10,8 milhões de mudas. Além disso, o Planta+Rio tem a meta de plantar mais de 200 mil mudas até 2028, com a ajuda da população, que pode pedir mudas pela Central 1746.
Atualmente, 41% do território da cidade é protegido por Unidades de Conservação. E novos parques estão sendo entregues em diferentes regiões, principalmente na Zona Norte e Zona Oeste, que são as áreas mais quentes do Rio.
Na Zona Norte, já foram inaugurados o Parque Carioca Pavuna (perto da comunidade do Chapadão), o Parque Piedade (no antigo campus da Universidade Gama Filho) e o Parque Madureira Mestre Monarco, que atravessa cinco bairros. Na Zona Oeste, a população já pode aproveitar o Parque Susana Naspolini em Realengo, a primeira fase do Parque Oeste em Inhoaíba e o Parque Rita Lee na Barra da Tijuca.
E não para por aí: quatro novas obras já estão em andamento, incluindo a expansão do Parque Realengo, a segunda fase do Parque Oeste, o Parque Terra Prometida em Santa Cruz e o Parque Linear da Maré. Outros cinco parques estão sendo planejados para o futuro.
Chuvas: cidade tem protocolos e operações especiais
O Rio já tem uma longa experiência com chuvas fortes, e a Prefeitura não está esperando o El Niño chegar para agir. A Defesa Civil conta com 165 sirenes instaladas em 103 comunidades, que avisam a população sobre riscos de deslizamentos. Também existem protocolos específicos para interditar vias em situações de chuva, vento ou ressaca.
A cidade tem 225 pontos de apoio e realiza treinamentos constantes com a população em áreas de risco. Desde 2014, já foram feitos 869 simulados de desocupação em comunidades. Além disso, o sistema Cell Broadcast envia alertas de emergência diretamente para os celulares das pessoas que estão em regiões sob risco.
Para evitar alagamentos, a Operação Ralo Limpo já atuou em mais de 28,7 mil bueiros e 22,4 mil tampões só em 2026. Isso significa que mais de 51 mil estruturas foram limpas pelas equipes da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos. O trabalho de limpeza de rios e canais retirou cerca de 257 mil toneladas de resíduos e beneficiou aproximadamente 70 quilômetros de cursos d’água.
A Prefeitura mais que dobrou os investimentos em ações de combate a alagamentos: de R$ 30 milhões em 2025 para R$ 70 milhões em 2026. Uma operação nova, a Moto Abre Ralo, já fez mais de 8,8 mil atendimentos em 145 bairros, com mais de 30 mil quilômetros rodados e mais de 9,6 mil quilos de resíduos retirados.
Obras estruturantes para proteger a cidade
Além das operações diárias, a Prefeitura está investindo em obras grandes e importantes para proteger o Rio das enchentes. Entre elas estão o PAC Realengo, com um reservatório para 20 milhões de litros de água; o PAC Acari, com intervenções em 3,8 quilômetros do rio; e as obras em Jardim Maravilha, com diques e reservatórios que podem armazenar 231 milhões de litros de água.
O PAC Encostas representa um investimento de R$ 258 milhões e deve ampliar a segurança de cerca de 60 mil pessoas que vivem em áreas de risco. O programa Bairro Maravilha, desde 2021, já beneficiou mais de 75 localidades nas zonas Norte e Oeste, com mais de 200 quilômetros de vias urbanizadas e mais de R$ 1,1 bilhão investidos.
Em parceria com o Governo Federal, a Prefeitura também vai fazer reformulações em três grandes comunidades: Maré, Rocinha e Complexo do Alemão. O PAC Periferia Viva vai ouvir moradores, lideranças e instituições locais para definir planos de ação focados em melhorias de infraestrutura e do espaço urbano.
Comunicação e transparência com a população
A Prefeitura reforça que vai manter a população informada sobre os riscos e as ações que estão sendo tomadas. O Centro de Operações Rio comunica a população pelos canais oficiais sempre que há mudanças nos níveis de alerta. O monitoramento meteorológico é feito de forma integrada, e a população pode acompanhar as informações pelos canais oficiais da Prefeitura.
A orientação é que os cariocas fiquem atentos aos comunicados oficiais e sigam as recomendações da Defesa Civil em caso de alerta. Em dias de muito calor, a recomendação é beber bastante água, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e procurar locais com sombra e ventilação.
