Em territórios onde as histórias muitas vezes são contadas por olhares de fora, iniciativas que colocam os próprios moradores como protagonistas ganham ainda mais importância. No Rio de Janeiro, o Circuito Cine Curta surge com a proposta de abrir caminhos para que jovens de favelas transformem suas vivências em narrativas cinematográficas.
Com inscrições abertas, o projeto oferece uma oficina gratuita de cinema voltada a jovens a partir de 16 anos, priorizando estudantes de comunidades como a Rocinha e o Vidigal. Ao todo, serão disponibilizadas 25 vagas para a formação, que acontecerá no Centro Paroquial Dom Helder Câmara, no Leblon.
Mais do que ensinar técnicas, a iniciativa busca democratizar o acesso ao audiovisual, um setor ainda pouco acessível para grande parte da juventude periférica. A proposta é apresentar o cinema como ferramenta de expressão, memória e transformação social, incentivando que os participantes contem suas próprias histórias a partir de suas realidades.
Durante a oficina, os jovens terão contato com todas as etapas de produção de um filme. Desde a construção do roteiro até direção, fotografia, captação de som e finalização, o curso pretende oferecer uma formação completa, permitindo que os participantes compreendam, na prática, como funciona o processo audiovisual.
A idealizadora do projeto, Juliana Teixeira, destaca a importância da iniciativa em um momento positivo para o setor. “É uma alegria, num momento tão especial do cinema brasileiro, podermos oferecer oficinas de audiovisual para os jovens, no Circuito Cine Curta. O cinema brasileiro, além de muito potente, é uma indústria que reflete a nossa sociedade, que mostra o nosso país para nós mesmos e para o mundo. Então, é sempre uma experiência enriquecedora e transformadora. É uma emoção podemos mostrar como se produz cinema e como esse mercado é interessante e atraente”, afirma.
A vivência não ficará apenas no campo teórico. Ao longo dos encontros, os estudantes irão desenvolver um curta-metragem coletivo, construído a partir das ideias, referências e experiências do grupo. O resultado final será exibido em uma sessão aberta ao público, reforçando o caráter de troca e valorização das narrativas produzidas nas favelas.
A iniciativa também se destaca por fortalecer a presença de novos olhares no cinema brasileiro, contribuindo para uma produção mais diversa e conectada com a realidade das periferias. Em um cenário onde a representatividade ainda é um desafio, projetos como o Circuito Cine Curta ampliam horizontes e ajudam a formar uma nova geração de realizadores.
As inscrições serão realizadas presencialmente nos dias 10 e 11 de abril, das 14h às 18h no Centro Paroquial Dom Helder Câmara.
