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O retorno do batidão: DJs cariocas resgatam o ritmo do funk tamborzão

2023 marcou o retorno das batidas clássicas no cenário musical do Rio
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

De um jeito novo, mas sendo fiel às origens, o funk tamborzão voltou às playlists dos cariocas. Hits como, A “Pedido”, de DJ Mandrake, MC Tikão, L7NNON, “Marolento”, de Puterrier, com o feat de Borges, e do “Tá Ok”, de Dennis DJ e Kevin O Chris, foram exemplos de músicas que dominaram nas plataformas de streaming em 2023. A última citada foi a grande vencedora da categoria “Funk do Ano” no Prêmio Multishow. 

Com esse retorno bombástico do hit carioca, a equipe do Voz das Comunidades entrevistou um dos grandes nomes do funk do CPX do Alemão, DJ Swag, para esta nova era. Segundo o artista, o movimento não é uma resposta aos novos hits derivados do Tik Tok, mas sim uma adaptação do gênero musical.

“É a recuperação da essência de músicas bem construídas de fato que podem furar essa bolha, sem que sejam trabalhadas nessa ‘fórmula’ do Tik Tok, como se fosse um pacote pronto pra hitar. Eu, também detentor de alguns hits, posso dizer que a plataforma sim dita quais serão as músicas que podem alcançar números inimagináveis; tendo o algoritmo como aliado, se produz e reproduz em massa, músicas extremamente parecidas. Porém é também extremamente descartável”, explica o funkeiro Miguel Corleone, de 23 anos, mais conhecido pelo nome artístico DJ Swag.

Indústria musical volta a olhar para o funk carioca e hits tocados por DJs, como Swag, embalam o Brasil
Foto: Selma Souza / Voz das Comunidades

Nos últimos anos, o rap, trap, e os “hits do Tik Tok”, acabaram colocando o funk em segundo plano nas mídias digitais. Mas, segundo Swag, não há divisão, o que acontece é um falecimento da cultura carioca. 

“Dentro dessa vertente originária do Funk, é possível realizar um funk bem produzido e marcar uma história, assim como eu fiz em 2021/22 entregado a tão aclamada “Eu já sentei pro seu marido”, se tornando o Hit de Carnaval de 2022. Quanto ao trap versus funk, os trapers curtem muito funk, onde alguns deles têm se aventurado, da mesma forma que os que eram do funk, como Poze, Cabelinho e Maneirinho, foram para o trap e ainda trabalham com o funk”, ressalta.

O movimento do funk carioca, no ritmo batidão, surgiu na década de 1990, no Rio de Janeiro. Além da característica do tamborzão, o estilo musical tem uma estética própria muito marcante, reforçando ainda mais o sentimento de nostalgia do ritmo. 

“O mercado quis recuperar justamente por conta da escassez do “funk original” nos últimos três anos por conta do Tik Tok, e após a análise sobre a “durabilidade” das faixas da rede social. O Cenário do Funk no Rio de Janeiro tem sido “Confuso”, uma disputa mais entre os estilos antigos e os hits virais. Então, o que é “Funk Raiz” tem tido uma separação do que é “Funk Tik Tok”, onde a indústria musical do país tem feito essa sequência de músicas descartáveis, tirando a solidificação dessa arte experimental de Beats, dinâmicas e etc do funk Carioca”, completou. 

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), a população brasileira tem ouvido música por cerca de 25 horas semanais em 2023. O levantamento foi feito em 26 países com 43 mil pessoas entre os meses de agosto e outubro. No estudo foi evidenciado que o funk brasileiro é um dos 700 gêneros musicais ouvidos em todo o mundo.

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PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

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