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Nós por Nós: Time de basquete da Penha dribla dificuldades para manter esporte vivo

Quadra na Vila Cruzeiro apresenta péssimas condições e juventude se movimenta para conseguir mudanças

Nós por Nós Basketball. Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades
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O Nós por Nós Basketball vem da ideia de movimentar tudo juntos. O grupo surgiu há três anos na quadra ao lado do Campo do Ordem, na Vila Cruzeiro, Penha, Zona Norte do Rio. Idealizado por Lucas Prudêncio, conhecido como RLK, o projeto reúne hoje cerca de 50 atletas, entre amadores e profissionais, e mantém viva a cultura do basquete de rua no formato 3×3.

A quadra, ponto de encontro da comunidade, enfrenta dificuldades estruturais. Colunas de ferro laterais representam risco para os jogadores, o piso irregular danifica tênis e muitos praticam descalços ou com calçados inadequados, aumentando o risco de acidentes. “Nem sempre a gente consegue fazer nossa pelada por causa do estado da quadra… o pessoal desanima”, comenta Lucas. O jogador DiCaprio completa: “Aqui perdi muito tênis”.

O coletivo se organiza para manter o espaço ativo: recolocam o aro, realizam pinturas, compram bolas e refazem as marcações no chão. Como há apenas uma cesta disponível, os jogos acontecem no formato 3×3 por falta de espaço na quadra, às segundas e quartas, às 19h.

Basquete de Cria

O Nós por Nós busca usar o basquete como ponto de encontro com outros esportes, rodas culturais, oficinas para as crianças e manifestações da cultura urbana da Penha. Para recolocar o aro, movimentos de basquete de favela se uniram, com apoio do Baska da Bstuy, basquete do Morro da Baiana, no Complexo do Alemão. A ideia é dar visibilidade ao coletivo, atrair novas parcerias e mobilizar a quadra como espaço de convivência.

O espaço também já recebeu mutirões de grafite, com participação da organização cultural PH na iniciativa chamada de REOCUPE. O coletivo Ocupe se junta ao Nós por Nós no desenvolvimento de novos projetos, incluindo um campeonato planejado para ampliar o alcance do coletivo e fortalecer suas iniciativas.

Lucas destaca a importância do projeto no território. “A gente mora num lugar onde o futebol é mais valorizado, todo mundo joga bola. O basquete chega para mostrar que também pode ser nossa linguagem, que podemos ser o que quisermos ser. Não só o futebol.”

Faltam oportunidades para atividades além do futebol na comunidade. “Aqui a gente só tem futebol, parece que sempre temos que nos limitar. Descobri meu dom com a fotografia em 2019, e quero compartilhar isso com a rapaziada”, diz Lucas Prudêncio. 

Campeonatos amistosos

O grupo já participou de amistosos na Baiana e na Mangueira, além de se preparar para um campeonato 3×3 em novembro. Apesar da falta de recursos e estrutura, a união do coletivo permite que mantenham as atividades ativas. O projeto começou com poucos jogadores e atualmente reúne um grupo maior, todos engajados em fortalecer a cena do basquete e buscando patrocínios, torneios oficiais e mais oportunidades para a comunidade.

Vivências de rua 

Inspirados em referências como o Basquete da Cruzada, que promove esportes, oficinas, leituras e treinos para equipes sub-19, os integrantes do projeto estudam e observam exemplos para ampliar suas próprias ações.

“O Básico da Cruzada é minha referência máxima no momento, tanto no basquete quanto no envolvimento com a comunidade. Quero visitá-los e aprender ainda mais”, afirma Lucas Prudêncio, idealizador do Nós Por Nós.

O Nós Por Nós é, assim, mais do que um projeto de basquete: é uma expressão de resistência, cultura e união na Penha, construído por jovens que transformam o esporte em oportunidade e identidade.

A equipe do Voz das Comunidades entrou em contato com a Secretaria de Infraestrutura, mas até o fechamento desta matéria, não recebemos retorno.

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