Pesquisar
Close this search box.
Pesquisar
Close this search box.

Morro da Providência vai ganhar primeira pista de skate no alto da favela

A ideia partiu do sucesso do projeto Santo Skate, da ONG Casa Amarela, que ensina meninas e meninos de 8 a 15 anos
Foto: Douglas Dobby/Casa Amarela
Foto: Douglas Dobby/Casa Amarela

O Morro da Providência, primeira favela do Brasil localizada no Centro do Rio de Janeiro, será também a primeira a ganhar uma pista de skate no seu topo. O plano partiu do sucesso do projeto Santo Skate, da Casa Amarela, que ensina práticas de skate a meninas e meninos de 8 a 15 anos da comunidade.

As obras começam em 14 de março e irão durar entre 3 e 4 meses. A pista de skate será construída na quadra da Dodô da Portela, que fica em frente ao Teleférico inativo da Praça Américo Brum.

O objetivo é inaugurar a pista até a metade deste ano. O espaço será aberto a todos que quiserem treinar, mas a prioridade são as crianças e jovens da Providência. De acordo com a codiretora da Casa Amarela, Titi Constantin, todas as pistas de skate existentes nas favelas do Rio de Janeiro ficam localizadas em sua parte baixa. 

Foto: Divulgação
Local onde vai ser a pista de skate
Foto: Douglas Dobby/Casa Amarela

A necessidade de uma pista para a prática dos alunos

A meta do projeto até o fim deste ano é poder acolher e inscrever oficialmente toda a criançada que está na lista de espera do Santo Skate. As aulas são ministradas pelo professor e morador Vinícius Martins. “A gente não dá conta de ensinar a todos que vêm até nós, no momento. E, a outra meta é organizar eventos e campeonatos na nossa pista e, assim, poder receber outros skatistas do Brasi, e, quem sabe, de fora, além de dar visibilidade a essa prática que foi marginalizada no Rio durante muitos anos”, explica a Titi. 

Ela explicou ainda que a ideia surgiu da necessidade de ter um espaço mais acessível para os pequenos skatistas, que treinam apenas uma vez por semana com o professor Vinícius Martins, no Aterro do Flamengo. “Começamos a ver as crianças progredindo e se dedicando muito. Então, percebemos que precisávamos de um lugar adequado para treinar, até porque é muito caro ficar se deslocando com diversas crianças”, disse. 

Outro espaço de treino é na Marina da Glória.
Foto: Douglas Dobby/Casa Amarela

Por fim, Titi ressaltado o quanto essa prática esportiva impacta. “No decorrer do projeto, o bem que a prática do esporte estava proporcionando às crianças, não só na saúde física, como na mental também, deixavam elas mais calmas, com mais autoestima, mais focadas e solidárias umas com as outras. Essas mudanças comportamentais significativas motivaram a nós, eu, o professor Vinícius e a coordenadora pedagógica, Talita Milanez, a escrever o projeto“.

Como começou o Santo Skate?

Do início, a ONG Casa Amarela foi fundada pelo artista francês JR e pelo brasileiro Maurício Hora. O JR reside em Nova York, nos Estados Unidos, onde ele tem uma parceria com o coletivo gringo THE SKATEROOM. Há uns 4 anos, eles enviaram umas peças de skate para a ONG. Com isso, um integrante do coletivo ADEMAFIA, o Luquinhas, deu uma oficina para a criançada sobre como montar o próprio skate. 

Logo depois, o skatista e morador da Providência, Vinícius Martins, quis se voluntariar para ensinar os pequenos a andarem de skate. E, assim, começam as aulas com os skates montados pelas crianças, com peças doadas pela SKATEROOM. Tudo isso um pouco antes da pandemia. Hoje, eles têm que ir até o Aterro do Flamengo, uma vez por semana, para treinar. É um deslocamento que custa caro. 

Crianças que praticam skate pela iniciativa
Foto: Dodô/Casa Amarela

Compartilhe este post com seus amigos

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp

EDITORIAS

PERFIL

Rene Silva

Fundou o jornal Voz das Comunidades no Complexo do Alemão aos 11 anos de idade, um dos maiores veículos de comunicação das favelas cariocas. Trabalhou como roteirista em “Malhação Conectados” em 2011, na novela Salve Jorge em 2012, um dos brasileiros importantes no carregamento da tocha olímpica de Londres 2012, e em 2013 foi consultor do programa Esquenta. Palestrou em Harvard em 2013, contando a experiência de usar o twitter como plataforma de comunicação entre a favela e o poder público. Recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia. Recentemente, foi nomeado como 1 dos 100 negros mais influentes do mundo, pelo trabalho desenvolvido no Brasil, Forbes under 30 e carioca do ano 2020. Diretor e captador de recursos da ONG.

 

 

Contato:
[email protected]