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Moradores do Jardim Catarina criam lixeiras comunitárias e lançam cartilha sobre justiça ambiental

Projeto Colabora Ipuca reúne moradores para enfrentar problemas de coleta de lixo e saneamento e transforma experiências da comunidade de São Gonçalo em dados e propostas.

Foto: João Laurentino (@laurentino.clicks)
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Moradores da Ipuca, sub-região do Jardim Catarina Velho, em São Gonçalo, estão transformando a realidade do território a partir de soluções criadas pela própria comunidade. Depois da construção de lixeiras comunitárias para enfrentar o descarte irregular de resíduos, o projeto Colabora Ipuca lançou a cartilha “Por uma nova Ipuca: caminhos para a justiça ambiental e climática no Jardim Catarina”.

O material reúne um diagnóstico dos principais problemas socioambientais enfrentados pelos moradores, além de registrar iniciativas desenvolvidas dentro da própria comunidade diante da falta de serviços públicos adequados.

A Ipuca convive há anos com problemas como esgoto a céu aberto, acúmulo de lixo, valões e ruas tomadas pela lama em períodos de chuva. Em alguns pontos, a ausência de coleta regular contribuiu para a formação de locais de descarte irregular de resíduos.

Um deles fica na Rua Expedicionário Moisés de Oliveira, conhecida como Rua 59. No local, lixo e esgoto se acumulavam próximo às casas dos moradores. Por meio de mutirões, voluntários do Colabora Ipuca realizaram a limpeza da área e construíram duas lixeiras comunitárias.

As estruturas, inicialmente desenvolvidas pelo engenheiro Márcio Almeida e aprimoradas por lideranças do Grupo Nova Ipuca, são feitas em alvenaria e recebem intervenções em grafite. Ao todo, o grupo já construiu seis lixeiras comunitárias na região. A iniciativa também ajudou a modificar a rota do caminhão de coleta, fazendo com que o serviço chegasse a moradores que antes não eram atendidos.

Cartilha produzida com os moradores

O Colabora Ipuca é desenvolvido pelo Grupo Nova Ipuca em parceria com as jovens lideranças Isabelly, Francisca e Jupiter, integrantes da Rede Manas, apoiada pelo Instituto Decodifica. A iniciativa recebeu recursos da organização Hivos por meio de edital.

Além das intervenções nas ruas, o projeto realizou uma oficina de cartografia socioambiental, na qual os próprios moradores participaram do mapeamento dos problemas e das potencialidades da região.

O resultado desse processo deu origem à cartilha, lançada na primeira semana de agosto. O documento reúne informações sobre saneamento básico, coleta de resíduos e outras violações socioambientais, além de apresentar soluções desenvolvidas pela própria população.

A iniciativa busca também enfrentar a falta de dados específicos sobre a realidade da Ipuca. A proposta é transformar as experiências dos moradores em informações que possam dar visibilidade às demandas do território e fortalecer a cobrança por políticas públicas.

Os problemas enfrentados pela comunidade fazem parte de um cenário mais amplo de precariedade do saneamento em São Gonçalo. Dados citados pelo projeto, com base no Instituto Trata Brasil, apontam que, em 2023, apenas 15,49% do esgoto do município era tratado.

Para quem vive na região, a falta de infraestrutura interfere diretamente na rotina e até mesmo no acesso a serviços essenciais. Moradora da Ipuca há 27 anos, Adma Batista relata que passou a enxergar essas dificuldades de outra maneira depois de enfrentar um câncer. “No ano passado, eu fui diagnosticada com câncer e, quando voltei da cirurgia, fiquei com medo até de morrer. Porque como a gente sai de um lugar desse quando passa mal?”, conta.

Mobilização para transformar o território

Mais do que registrar problemas, a cartilha pretende mostrar como os próprios moradores vêm criando alternativas para melhorar o lugar onde vivem. As ações dialogam com temas como justiça climática, direito ao saneamento e combate ao racismo ambiental.

Para Wellington Silva, liderança territorial e integrante do Grupo Nova Ipuca, um dos principais resultados do projeto foi recuperar entre os moradores a perspectiva de mudança. “O maior milagre que conseguimos foi ressuscitar no coração dos moradores o que já estava morto”, afirma.

A cartilha “Por uma nova Ipuca: caminhos para a justiça ambiental e climática no Jardim Catarina” está sendo distribuída em versão impressa para moradores da região e também foi disponibilizada em formato digital.

 

Matéria produzida originalmente para o jornal “O Catarinão”.

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