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Imprudência aumenta risco na Estrada do Itararé no Complexo do Alemão

Via que contorna a comunidade registrou 26 ocorrências em três meses, segundo Bombeiros

Via tem grande fluxo de motos e carros diariamente Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades
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Não é difícil andar pelas ruas do Rio de Janeiro e se deparar com situações que atrapalham o trânsito: carros parados em fila dupla, motos costurando entre veículos, ônibus fazendo manobras arriscadas em horários de pico. Na teoria, o trânsito deveria fluir de forma contínua, organizado e seguro. Mas a prática cotidiana revela um cenário bem diferente, onde a pressa (a inimiga mortal da perfeição), o desrespeito às regras e a falta de atenção tornam o deslocamento um desafio diário. E, em vias que cortam as favelas, o perigo é ainda maior devido ao fluxo intenso de pessoas e veículos, o que aumenta a frequência de acidentes graves. 

A Estrada do Itararé, que corta o Complexo do Alemão e liga diferentes pontos da Zona Norte, é um desses exemplos. Com tráfego pesado desde as primeiras horas da manhã até o fim da noite, a via funciona como ponto de conexão entre a comunidade do Alemão e o bairro de Ramos, recebendo diariamente carros de passeio, ônibus, caminhões, motociclistas e grande circulação de pedestres. O Voz das Comunidades acompanhou o movimento ao longo de todo o mês de novembro e constatou que o número de acidentes disparou. 

Os dados confirmam o alerta. Segundo o Corpo de Bombeiros, nos meses de setembro, outubro e novembro de 2025 foram registrados 26 acidentes na Itararé. Só em novembro foram 9 ocorrências, com 6 colisões e 3 atropelamentos. No ano passado, no mesmo período, haviam sido 13 acidentes, exatamente a metade. O crescimento significativo acende uma discussão urgente sobre mobilidade, segurança e educação no trânsito dentro dos territórios. 

Para especialistas, a principal causa desses acidentes continua sendo o comportamento dos motoristas. Marcos Moreira, instrutor e integrante da Coordenadoria de Educação para o Trânsito do Detran-RJ, explica que as ocorrências geralmente estão relacionadas à imperícia, imprudência e negligência. “O resultado desses acidentes é que, na cidade do Rio de Janeiro, morrem em média seis pessoas por dia por acidentes de trânsito. Seis vidas perdidas diariamente. Isso precisa ser debatido com seriedade”, afirma. 

Ele reforça que a mudança começa no comportamento individual. “A gente só consegue mudar o macro se mudar o micro. E isso significa cada motorista assumir sua responsabilidade. Direção defensiva não é opcional — é o básico para evitar tragédias. Ensina respeito, atenção e responsabilidade no trânsito.” Marcos ressalta orientações simples, mas amplamente ignoradas: “Se você beber, não dirija. Além de ser crime, coloca em risco sua vida e a vida de quem divide o trânsito com você. Use sempre o cinto de segurança, respeite o limite de velocidade e não use o celular ao volante. O celular é hoje uma das maiores causas de distração e acidentes.” 

Na Estrada do Itararé, um dos desafios mais graves envolve os motociclistas. Por ser a via do pé do morro, por ela passam muitos trabalhadores locais e moradores que utilizam a moto como principal meio de transporte. Muitos, porém, circulam sem capacete, em alta velocidade e fazendo manobras perigosas para escapar do congestionamento. A consequência aparece nas estatísticas: quedas e atropelamentos envolvendo motos lideram os atendimentos dos Bombeiros na região. 

Neste mês, o Voz das Comunidades acompanhou um acidente em que uma moto colidiu com um caminhão da Light que fazia manutenção em um poste próximo ao Colégio Tim Lopes. Duas pessoas foram encaminhadas ao hospital. Moradores que presenciaram o acidente afirmaram que os ocupantes da moto estavam sem capacete. “Eles vieram costurando desde lá de baixo. Mas não venceram o caminhão e acabaram batendo”, relatou uma testemunha. Outra pessoa que testemunhou o impacto descreveu o estado do piloto. “O rosto dele afundou.” 

A combinação de imprudência, fiscalização insuficiente cria um cenário preocupante que impacta diretamente os moradores do Alemão e arredores. Para Marcos, reduzir acidentes passa pelo pilar da educação. “Todo mundo levanta de manhã e vai pro trabalho e volta no fim de tarde. Isso é de todo o indivíduo. Ou seja, motorista. E cada um precisa fazer a sua parte no trânsito, respeitando regras e redobrando a atenção quando estiver o volante, além de evitar o uso do celular.” 

Com o crescimento dos acidentes, aumenta também a urgência por mais atenção, tanto do poder público, quanto dos próprios cidadãos. A Estrada do Itararé tem semáforos, faixas de segurança e boa visibilidade, mas nada disso funciona se não houver responsabilidade. Afinal, qualquer descuido pode custar muito mais do que um arranhão no carro. Pode custar uma vida. 

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