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Estudo revela impacto da violência armada no direito de ir e vir de milhares de estudantes no Rio

Mais de 188 mil alunos da rede municipal tiveram o trajeto para a escola interrompido por tiroteios e barricadas entre 2023 e 2025

Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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O Complexo do Alemão acordou com uma operação policial nesta quinta-feira (26). Apesar de não haver registro de tiros até a publicação desta reportagem, o clima na região é tenso. Diante da situação e por medida de segurança, serviços essenciais como as escolas, suspenderam as atividades,. E mais uma vez, crianças ficaram sem aula.

A frequência de como essas ocorrências impactam a vida de alunos que moram em favelas foram registradas em um levantamento inédito feito pela Fundo das Nações Unidas para a Infância da ONU (UNICEF), em parceria com o Instituto Fogo Cruzado e o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF).

A pesquisa, intitulada Percursos Interrompidos, mostrou que entre janeiro de 2023 e julho de 2025, o transporte público na cidade parou 2.228 vezes por causa da violência. O impacto direto caiu no colo de quase 190 mil crianças e adolescentes que, muitas vezes, saíram de casa para estudar e deram de cara com o caminho fechado por tiroteios ou barricadas.

Enquanto em áreas nobres a vida segue, em bairros como Penha, Bangu e Jacarepaguá, a circulação interrompida virou rotina. Na Penha, por exemplo, o transporte ficou parado o equivalente a 176 dias no período analisado. Isso significa que, para o morador da região, o direito de circular e chegar ao trabalho ou à escola é uma loteria diária decidida pela segurança pública.

O buraco é ainda mais embaixo quando olhamos para o relógio. Em dias de aula, essas interrupções duram, em média, mais de 8 horas. Ou seja, se o ônibus ou o trem param por causa de uma operação ou confronto, o aluno perde o turno inteiro de estudo. Das mais de 4 mil escolas do Rio, 95% registraram algum tipo de problema no transporte ao seu redor, mostrando que a violência armada dita o ritmo da educação no Rio. As causas desse nó na mobilidade são velhas conhecidas de quem mora na favela: 32% das paradas em horário escolar foram causadas por barricadas e quase 23% por operações policiais.


Segundo a assessoria da Polícia Militar, o motivação da operação desta quinta-feira (26/03), é a “instalação de blocos Jersey nos acessos à comunidade da Fazendinha, que integra o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com o comando da unidade, a ação tem como objetivo reduzir os índices de roubos de cargas e veículos nos acessos à localidade, visando dificultar a entrada de carros roubados e veículos de carga de grande porte”.

Com a operação, a Secretaria Municipal de Educação informou que, no Complexo do Alemão, 13 unidades escolares foram impactadas pelas operações policiais em curso.