No primeiro dia do Rock in Rio 2026, o Espaço Favela movimentou a Cidade do Rock com apresentações de GBZ7N, Hitmaker com participação de Melody, Os Crias e Tribo do Senegal. No encerramento da noite, Rodrigo do CN levou o funk para o palco e transformou o espaço em um grande baile.
A estrutura colorida chama a atenção de quem circula pelo festival. Mas, para moradores das comunidades cariocas, o impacto vai além da beleza da cenografia: nasce do reconhecimento de elementos que fazem parte de suas próprias vivências.
Caixas d’água sobre os terraços, casas coloridas e sobrepostas, grafites e até o tradicional cachorro caramelo reproduzem detalhes presentes no cotidiano das favelas e periferias. É uma representação que desperta identificação e faz com que parte do público se enxergue dentro de um dos maiores festivais de música do mundo.
Moradora do Pechincha e trabalhadora da Cidade de Deus, Sandra Santos, de 63 anos, foi ao festival prestigiar o filho, que dança com o GBZ7N. Ao observar o cenário e vê-lo se apresentando no palco, ela se emocionou. “É a cara da Cidade de Deus, no formato das casas e nas cores. É um sonho realizado ver eles lá em cima”, contou.
O sentimento é compartilhado por Gabriel Conceição, de 27 anos, morador do Az de Ouro. “As caixas d’água no terraço, o cachorro caramelo… É o único palco que representa a nossa área”, afirmou.

Representatividade e oportunidade
Para Wagner Ramos da Silva, de 41 anos, morador da Cidade de Deus, a força do Espaço Favela está justamente na valorização da população negra, da diversidade e dos talentos que surgem nas comunidades. Ao acompanhar a apresentação de Os Crias, ele destacou a emoção de ver a própria gente ocupando o festival. “Pessoas bonitas, muita diversidade, muita gente preta dançando. É isso, favela é isso”, resumiu.
A identificação também está presente entre os profissionais que trabalham nos bastidores do Rock in Rio. Alex Mendes Araújo, de 38 anos, morador da Vila Kennedy, atua como carregador no festival e reconhece no espaço uma representação legítima de sua realidade. “É um palco que representa nós. Alguma coisa tem que representar a gente, né?”, afirmou.

Ao reunir a emoção de quem se reconhece na cenografia, o trabalho de profissionais que ajudam a construir o festival e o talento dos artistas que ocupam o palco, o Espaço Favela cumpre um papel que ultrapassa o entretenimento.
Mais do que reproduzir visualmente uma comunidade, o espaço faz com que a cultura das favelas esteja presente no Rock in Rio com identidade, representatividade e voz própria.
