No dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, o Instituto Marielle Franco e a Narra abriram os trabalhos da Escola Marielle Franco de Comunicação. A formação conta com aulas práticas e teóricas para comunicadores de diferentes partes do Rio de Janeiro. Ocorrida no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, na última sexta (25), a primeira aula contou com a participação de Mônica Sacramento, coordenadora programática da ONG Criola, e Tábata Poline, repórter do Fantástico.
A aula inaugural é mais um marco da semana recheada de novidades boas. Nos últimos dias, Luyara Franco foi nomeada como diretora executiva do Instituto Marielle Franco. No cargo, a jovem assume a responsabilidade de recontar histórias e seguir o legado de sua mãe.
“Minha mãe me ensinou a importância de ocupar todos os lugares. Então é uma expectativa muito alta de dar conta de tudo isso agora que estou nesse lugar que é por direito como herdeira. A gente passou por um processo de fake news e de apagamento da história da minha mãe que quando a gente funda o Instituto já vem desse lugar: pegar a narrativa e contar nossas histórias. Trazer a Marielle mãe, filha. A gente sabe o que a gente passa, nossa dor enquanto mulher preta e favelada. É muito fácil você vê nos canais as pessoas falando sobre a nossa vida, os jovens, a periferia, a favela. Mas o que importa mesmo é que a gente tenha esse protagonismo e comunique da forma que precisa ser comunicado”, afirma Luyara.
A Escola Marielle de Comunicação nasce do desejo na Narra de compartilhar como se construir formas de comunicar uma campanha e outros debates políticos. A turma é formada por um público diverso de pessoas periféricas, mulheres e homens, cis e trans. Os selecionados irão construir um plano de comunicação para Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que acontece em novembro em Brasília. Foram mais de 270 inscrições. Escolher as 40 pessoas selecionadas foi um desafio.
“Desde o momento que a gente entende a vereança da Marielle e a importância dessas campanhas políticas, pensamos em como transmitir essa forma de fazer e como a gente pode potencializar essa juventude para construir essas narrativas e contar essas histórias. A Escola é esse lugar para compartilhar essa experiência e trajetória acumulada a partir do protagonismo das pessoas nesses lugares nesse momento tão importante e tão central em que a disputa de comunicação é tão importante para o contexto político”, explica Jéssica Pires, consultora de projetos da Narra.
As aulas são divididas entre teóricas e práticas. A ementa traz aulas sobre imprensa, produção de conteúdo, narrativa e storytelling. Entre os alunos, as expectativas estão altíssimas. Ana Carolina Aguiar é cria da Baixada Fluminense e comunicadora e acredita que a formação pode potencializar seus saberes e trazer boas trocas.
“Me inscrevi com intuito de impactar o imaginário social por meio da comunicação. Acredito muito na força da juventude negra e periférica. Temos muito a dizer com nossas vivencias e nosso repertório. Além de contrapor essas narrativas que impuseram durante tanto tempo pra gente. Ter tanta gente potente podendo ocupar as narrativas e comunicar o que a gente realmente vive é genuíno. Estou muito feliz com essa oportunidade”, conta Ana.
