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Em carta à imprensa, Oruam se pronuncia: “Essa ação violenta e desproporcional gerou sofrimento emocional e físico para todos nós”

Operação policial na casa de Oruam levanta debate sobre abusos, segurança e abordagem policial

Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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Na madrugada de terça-feira, 22 de julho, uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro resultou na emissão de um mandado de prisão preventiva contra o rapper Oruam. A ação ocorreu na residência do artista, no bairro do Joá, Zona Oeste da cidade, e gerou forte repercussão pública após a divulgação de vídeos nas redes sociais. Os registros mostram o momento em que policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) abordam o cantor e revistam seus amigos. Um deles é agredido durante a abordagem.

A operação teve como motivação a tentativa de apreender um adolescente apontado pela Polícia Civil como membro de uma facção. Segundo a instituição, informações de inteligência indicavam que o jovem em conflito com a lei estaria na casa do cantor. Ainda de acordo com a polícia, o adolescente foi localizado e abordado ao sair da residência, e estava acompanhado de outras quatro pessoas. No momento da detenção, segundo nota oficial, ele portava um cordão e um celular. Na nota, a Polícia Civil afirma que, durante a abordagem, outras pessoas saíram da casa e começaram a proferir xingamentos e jogar pedras contra os policiais, o que teria ferido um agente. Nesse contexto, a equipe teria entrado na residência.

Do outro lado, Oruam afirma que só reagiu com pedras após ser ameaçado com armas de fogo. Em carta aberta à imprensa publicada na tarde desta terça-feira (22), o artista alega ter sido vítima de abuso de autoridade e de preconceito. Disse ainda que possui provas em vídeo do momento da abordagem, e que sua casa foi invadida fora do horário legal para cumprimento de mandados judiciais, que vai das 5h às 21h. O músico também relatou que objetos pessoais foram rasgados ou destruídos, e que um dos seus produtores foi algemado de maneira arbitrária.

A noiva do cantor, Fernanda Valença, que estava na casa no momento da operação, reforçou o sentimento de violência vivenciado. Nas redes sociais, relatou que policiais apontaram fuzis até mesmo para a cachorra do casal, porque ela latiu durante a ação. As denúncias geraram comoção entre fãs e levantaram debates sobre o uso da força em operações policiais, sobretudo em territórios onde há forte presença de figuras negras criadas na favela, ainda que residentes em áreas nobres.

Poze do Rodo e a campanha “MC não é bandido”

No final do mês de maio, Poze do Rodo também foi alvo de uma operação policial. Motivo? A polícia afirmava que o conteúdo que ele canta promovia o crime. Sem apresentar resistência, o artista foi detido pela Polícia Civil do Estado Rio de Janeiro. No dia 2 de junho, a justiça concedeu liberdade para Poze do Rodo. O desembargador Peterson Barroso avaliou que a “medida de prisão não se sustentava, pois não ficou demonstrada a imprescindibilidade da prisão para a investigação”. No dia seguinte (3), o Poze do Rodo foi solto.

Durante os cinco dias que o funkeiro ficou detido, o caso ganhou muita repercussão. A expressão “MC não é bandido” ganhou força nas redes sociais, propagada pelos fãs do cantor. A frase também foi reforçada por Oruam. No dia de ganhou liberdade, uma multidão se posicionou em frente ao presídio o funkeiro estava preso. Além dos fãs, a família e amigos próximos também estavam presentes. No dia 8 de junho, Poze do Rodo promoveu o festival “MC não é Bandido” lotando o Campo do Sargento, no Complexo do Alemão. Totalmente gratuito, além do show do funkeiro, o evento contou com brinquedos infláveis e arrecadação de alimentos.

Poze fez show gratuito para a comunidade do CPX dias depois de ganhar liberdade.
Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades

A carta à imprensa de Oruam

Diante do ocorrido no Joá, na tarde desta terça-feira (22) a justiça do Rio determinou a prisão preventiva de Oruam. Após a determinação, o artista publicou sua carta à imprensa. Em um trecho, relata:

”Apesar da invasão, nenhuma objeção ou suspeita foi encontrada, pois não havia motivo algum para tal ação. Além disso, durante a abordagem, meu produtor, que estava comigo, foi algemado de maneira arbitrária e sem justificativa plausível. Essa ação violenta e desproporcional, além de humilhante, gerou grande sofrimento emocional e físico para todos nós presentes”

A tensão do episódio chama a atenção por outros temas como o uso da força policial, os limites da legalidade em operações policiais, o tratamento dado a jovens negros oriundos de favela, assim como o papel da arte e dos artistas na construção de narrativas contra a violência do Estado. De um lado, a polícia argumenta que cumpria um dever com base em informações de inteligência. Do outro, artista e produtores que acusam a corporação de extrapolar seus limites, violando direitos e agindo com desproporcionalidade.