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Crias de favela do Rio vivem experiência inesquecível no Rock in Rio 2026

Com transporte, acesso VIP e suporte de acessibilidade, selecionados em sorteio curtem a Cidade do Rock em uma ação do Voz das Comunidades, setor de pluralidade da Rock World e o Rock in Rio Club

Jovens aproveitaram tudo que o festival tinha a oferecer Foto: Alexandre Sales / Voz das Comunidades
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Reportagem: Karen Melo e Thiago Herminio
Edição: Jonas di Andrade

O Rock in Rio ganhou ainda mais significado ao abrir espaço para jovens de favelas cariocas na Cidade do Rock durante os dias do festival. Em clima de celebração e pertencimento, quatro moradores foram sorteados para viver essa experiência única, graças à iniciativa do Voz das Comunidades em parceria com o setor de pluralidade da Rock World e Rock in Rio Club.

De sonho de infância à ocupação de espaços

Para a artista Hadassa Oliveira, de 24 anos, moradora da Pedra do Sapo, Complexo do Alemão, viver o festival parecia algo inalcançável. “Sempre foi um sonho de criança. Eu via na televisão, mas pra gente que vem de onde eu vim, às vezes é imposto que a gente até pode sonhar, mas com cuidado para não sonhar ‘muito’, por conta da nossa realidade”, compartilha Hadassa.

Foto: Alexandre Sales / Voz das Comunidades

A virada veio quando ela resolveu gravar o vídeo para o concurso. “Gravei o vídeo dizendo que um dia seria eu ali naquele palco. Se eu pudesse resumir tudo em uma palavra, seria inefável, algo que não tenho como explicar de tão forte. Estar ali, vindo de onde venho e sendo quem sou, é incrível.”

Para além do espetáculo, o acolhimento humano e a inclusão deram o tom da visita. Como pessoa no espectro autista, Hadassa contou com um suporte totalmente adaptado, sendo encaminhada diretamente ao Espaço de Acessibilidade para o cadastro e a emissão de sua pulseira de identificação. Durante o evento, ela também conheceu a sala e o kit sensorial, estruturas preparadas especialmente para garantir sua regulação e conforto. Com um atendimento humano e o suporte contínuo da equipe, a jovem se sentiu plenamente acolhida e respeitada em cada momento da experiência. “Fui muito bem atendida e respeitada. E ainda pude levar minha noiva, que me acompanha sempre nos melhores e piores momentos”, conclui.

“Furei a bolha”: a potência da Maré no festival

Para Paulo André, morador do Complexo da Maré, a notícia da seleção provocou uma verdadeira explosão de sentimentos logo no primeiro momento. “Quando vi meu nome no feed do Voz das Comunidades, meu mundo caiu de alegria. Comecei a gritar em casa, fiquei em êxtase”, relembra. Acompanhado por uma equipe dedicada do início ao fim, ele descreve a sensação de ser acolhido em cada espaço. “Me senti uma estrela, com fotógrafo e filmmaker 24 horas. Conheci o VIP do VIP e vi de perto artistas que sempre ouvi, como Vanessa da Mata, Roupa Nova, Gilberto Gil e Péricles.”

Foto: Alexandre Sales / Voz das Comunidades

Para além das regalias, Paulo enfatiza a importância política de estar em um espaço historicamente restrito. “Para quem vive outra realidade, estar no Rock in Rio pode parecer algo comum, mas para mim não é. Estar ali me toca num lugar de potência. O Voz das Comunidades e o Rock in Rio Plural mostraram que a gente pode sim furar essa bolha. A periferia e a favela estão ocupando esses lugares.”

Orgulho no look, tatuagem e a realização de um sonho

Outra história marcante veio do Complexo do Alemão com a participante Thamires Costa. Ao descobrir que havia sido selecionada durante seu expediente de trabalho, ela chorou de emoção e pulou de alegria no horário de pausa. Disposta a levar a identidade da sua comunidade para a Cidade do Rock, ela fez questão de customizar o próprio figurino.

“A primeira coisa que pensei foi montar um look que representasse o lugar que me levou até ali. Personalizei minha roupa e escrevi ‘Complexo do Alemão’. Fui com muito orgulho“, conta Thamires, que levou seu amigo de infância, Rafael, como acompanhante. A experiência da dupla contou com acesso prioritário aos brinquedos, espaços exclusivos e diversos mimos do evento.

Foto: Alexandre Sales / Voz das Comunidades

A vivência foi tão marcante que Thamires fez questão de eternizar a conquista fazendo uma tatuagem dentro do próprio festival. Além disso, ela acompanhou o show do Major RD colada na grade do palco e se sentiu inteiramente acolhida. “Me senti totalmente inclusa e respeitada, independente do meu tom de pele ou de onde eu vim. Ver os shows de perto e ter acesso livre aos lugares sem restrições foi surreal. Eu estava ali representando a menininha de 12 anos que só via o festival pela TV e, também, toda a nossa periferia”, celebra Thamires.

“Tá se concretizando”: o sonho de Torres VN

O quarto morador selecionado foi Torres VN, de 24 anos. Ele mora na Pavuna, em Barros Filho, mas nasceu no bairro de Água Fria, em Recife. Para ele, viver a experiência no Rock in Rio é a realização de um sonho de infância que só existia na televisão. “Incrível, gente! Sou real, realizando um sonho desde criança, que eu só via na televisão e agora tá se concretizando”, conta Torres.

Foto: Alexandre Sales / Voz das Comunidades

O jovem também fala sobre o que o Voz das Comunidades representa em sua vida. “Voz das Comunidades para mim é um canal que tá dando oportunidade a muita gente legal das periferias, inclusive a mim, que venho de uma periferia inicialmente de Recife, Água Fria e hoje da Pavuna”, diz.

Durante o festival, Torres viveu um momento especial. Conheceu de perto sua maior ídola, a cantora Priscilla Sena, conhecida como musa do brega pernambucano.

“Conheci a minha maior ídola, a Priscilla Sena, musa do brega pernambucano. Foi um sonho, gente, foi por tudo”, relembra, emocionado. Para ele, o encontro tem um significado que vai além do pessoal. “A musa é muito importante para Pernambuco, para Recife, para a cultura periférica pernambucana e agora para a cultura periférica brasileira, porque o brega venceu, está chegando nacionalmente, é aceito”, celebra.

Redes de apoio e conexão

A realização dessa iniciativa envolveu um ecossistema de parceiros dedicados a tornar a experiência o mais completa possível. Toda a logística contou com transporte garantido, acompanhamento de equipe de imprensa e audiovisual, além do acolhimento nos espaços do Rock in Rio Plural e áreas exclusivas do Clube.

Emocionados, os participantes fizeram questão de estender o agradecimento aos profissionais envolvidos na ação: jornalistas, fotógrafos, motoristas e produtores que trabalharam nos bastidores, garantindo a segurança e os registros do grupo mesmo debaixo das fortes chuvas nas duas semanas que ocorreram a 11ª edição do festival.

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