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CRAS no Rio de Janeiro: o que é, para que serve e como buscar atendimento

Entre agendamentos online, filas e bloqueios do Bolsa Família, os Centros de Referência de Assistência Social seguem como porta de entrada para quem busca acesso a direitos e benefícios

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades
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No CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), uma dúvida simples pode se transformar em um grande obstáculo para quem depende dos serviços. Esses equipamentos públicos são a porta de entrada da população em situação de vulnerabilidade para os programas sociais no Rio de Janeiro. Neles, famílias encontram acolhimento, orientações e acesso a benefícios como o Cadastro Único (CadÚnico) e o Bolsa Família. 

Mas, com mudanças recentes no formato de agendamento, regras digitais e problemas de acesso online, muitas famílias relatam dificuldades em garantir o atendimento. Afinal, como enfrentar esses desafios? O Voz das Comunidades explica. 

Dificuldades no agendamento 

Para atualizar ou inscrever famílias no CadÚnico, requisito para o Bolsa Família e outros programas, é necessário agendar atendimento pelo site cadunico.rio ou pelo telefone 1746. A cada mês, novas vagas são liberadas em datas específicas. 

Procurada pelo Voz, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) afirmou que, a partir de outubro, o calendário será ampliado: “O agendamento passará a ter três datas mensais, e as vagas serão divulgadas nas redes sociais. Em algumas oportunidades, é possível haver dificuldade por conta da grande procura. Nesses casos, recomenda-se insistir até que o agendamento seja feito.” 

Como alternativa, a prefeitura lançou o CadMóvel Carioca, serviço itinerante que percorre diferentes bairros. Em cada edição, são distribuídas 150 senhas para inscrição e atualização do CadÚnico. O calendário é divulgado no perfil oficial @smas.rio

Deu ruim com o Bolsa Família? 

Usuários que tiveram o benefício cancelado ou suspenso podem procurar atendimento emergencial, sem agendamento, em qualquer um dos 44 CRAS ou nas 10 centrais do CadRio. 

O Bolsa Família segue sendo o principal programa de transferência de renda do país. Em resposta ao Voz, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome explicou. “O programa garante renda básica às famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, articulado a políticas de saúde, educação e assistência social, promovendo o desenvolvimento integral das famílias beneficiárias.” 

Mas por que o benefício é bloqueado? O Ministério detalha que isso pode acontecer por inconsistências no cadastro ou descumprimento de condicionalidades, como frequência escolar mínima e acompanhamento de saúde. “A atualização regular dos dados é essencial para evitar cortes”, reforça. 

Existe ainda a Regra de Proteção, que permite que famílias que apresentem aumento temporário de renda permaneçam no programa por até 12 meses, recebendo metade do valor do benefício. 

Para receber, cada integrante da família deve ter renda mensal de até R$ 218. Segundo o Ministério, “após a correção das informações ou o cumprimento das condicionalidades, o benefício pode ser restabelecido.” 

O que mais se faz no CRAS? 

Além de intermediar programas sociais, os CRAS oferecem serviços que podem mudar a vida de muitas famílias. Entre os principais benefícios, estão: acolhimento e orientação, com escuta, orientação e apoio a famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade; Cadastro Único, com auxílio para inscrição, consulta e atualização dos dados no CadÚnico; Programas e benefícios, oferecendo encaminhamento para programas de transferência de renda como o Bolsa Família e para benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). 

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades

Além disso, o CRAS oferece acompanhamento familiar, com visitas domiciliares e atendimento individualizado para identificar vulnerabilidades e traçar estratégias de superação; fortalecimento de vínculos, através da oferta do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), com oficinas de música, artesanato, esporte e outras atividades em grupo, divididas por faixa etária, além de serviços específico, com: apoio em casos de violência doméstica, desastres e calamidades; isenção na emissão de segunda via da carteira de identidade; orientação para emissão de documentos civis; e encaminhamentos com articulação com a rede socioassistencial para casos que exijam serviços de saúde, educação ou outras políticas públicas.