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Conheça o Costurando Histórias, projeto que une costura, geração de renda e esperança no Complexo do Alemão

Inspirado na história de uma neta de costureira, projeto já formou sua primeira turma com 34 alunos e mostra que nunca é tarde para aprender, empreender e recomeçar

Foto: Juliana Henrik
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Reportagem: Juliana Henrik

Antes mesmo de aprender a costurar, Paola Francisca já carregava uma herança que atravessou gerações. Neta de Madalena, uma costureira que criou 12 filhos usando linhas, tecidos e muito amor, ela cresceu observando como a costura era capaz de sustentar uma família e transformar dificuldades em dignidade.

Foi dessa história que nasceu um sonho.

Aos 15 anos, quando decidiu aprender a profissão, Paola ouviu diversas vezes que costura era “coisa de velho”. Enquanto muitos jovens se afastavam da atividade, ela fez justamente o contrário: transformou o preconceito em motivação.

“Se costurar era coisa de velho, eu seria uma jovem apaixonada pela profissão”, pensou.

Anos depois, aquela adolescente curiosa se tornou professora, empreendedora e idealizadora do Costurando Histórias, projeto que hoje vem transformando vidas dentro do Complexo do Alemão por meio da costura criativa, do upcycling, da geração de renda e do fortalecimento da autoestima.

Cada ponto feito na máquina representa muito mais do que uma peça de roupa. Representa um novo começo.

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Foto: Juliana Henrik
Foto: Reprodução
Foto: Juliana Henrik

Um projeto que nasceu para mudar histórias

Com apoio da FAPERJ e desenvolvido pelo Programa PISTA, o Costurando Histórias, projeto que integra o Território PISTA Complexo do Alemão, surgiu por meio de um edital da instituição, com apoio da ONU e do PNUD, para responder a uma realidade presente em muitas comunidades: a dificuldade de acesso à qualificação profissional e às oportunidades de geração de renda.

As aulas são realizadas na FAETEC Alemão, espaço que se tornou um ponto de encontro para aprendizado, troca de experiências e fortalecimento da comunidade. Mas o projeto foi além da capacitação. Ele criou um espaço de acolhimento, convivência e pertencimento, onde pessoas de diferentes idades descobriram uma nova profissão, um hobby ou até mesmo uma forma de cuidar da própria saúde emocional.

No dia 27 de junho, o projeto celebrou um dos momentos mais marcantes da sua trajetória: a formatura da primeira turma, com 34 alunos.

 

Foto: Juliana Henrik

Foi a primeira iniciativa do Programa PISTA a realizar uma formatura, consolidando um impacto que vai muito além das salas de aula.

Para Paola Francisca, ver o projeto sair do papel e transformar vidas é a maior recompensa. “É extremamente gratificante ver que nossas alunas confiaram no nosso trabalho. Contamos com o suporte fundamental da equipe do PISTA, que também acredita no nosso propósito. Ver o projeto sair do papel e se tornar realidade, desde a organização dos materiais até a estruturação do espaço, é uma conquista muito significativa. É um orgulho ver que minha equipe é composta por mulheres que também começaram como alunas e hoje se tornaram multiplicadoras do nosso conhecimento. Nosso sonho é continuar expandindo o projeto pelo Complexo do Alemão, para que mais mulheres alcancem a independência financeira, contribuam com o sustento de suas famílias e realizem seus objetivos pessoais. Desejamos que o Costurando Histórias cresça cada vez mais, pois este é apenas o começo da nossa trajetória.”

As inscrições para a próxima turma, que começa em agosto, já demonstram o alcance dessa transformação. Em poucos dias, 57 pessoas já garantiram uma vaga para viver essa experiência.

Costura que acolhe

Dentro da sala de aula, a idade nunca foi um obstáculo. A turma reuniu alunos entre 18 e 76 anos, mostrando que sempre existe tempo para aprender algo novo.

Entre as participantes estão mulheres em tratamento contra o câncer, pessoas com deficiência física e alunos com deficiência auditiva. Histórias diferentes que encontraram na costura muito mais do que uma atividade profissional. Encontraram acolhimento.

Para algumas, a costura representa uma nova oportunidade de gerar renda. Para outras, tornou-se um processo terapêutico, capaz de devolver autoestima, autonomia e o sentimento de voltar a ser útil para si mesmas e para suas famílias.

Sandra, de 62 anos, faz parte da primeira turma e resume o sentimento de quem encontrou na costura uma nova paixão. “Estou maravilhosamente feliz em participar desse curso. Eu nunca tinha pegado em uma máquina de costura. Foi tudo muito novo e especial para mim. A professora tem um cuidado e um carinho conosco que me fizeram apaixonar pela costura.”

Foto: Juliana Henrik

Ao longo dos encontros, linhas e tecidos passaram a costurar também amizades, confiança e sonhos que pareciam esquecidos.

Mais do que ensinar uma profissão, o Costurando Histórias passou a reconstruir vidas.

 

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