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Conheça a história de Emir Freitas, comerciante que levou o sabor nordestino ao CPX do Alemão

Localizada na Grota, loja vende diversos produtos vindos diretamente do nordeste brasileiro

Emir conta que a loja se tornou sua única fonte de rende de tanto sucesso que faz. Foto: Uendell Vinicius / Voz das Comunidades
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Há 28 anos, Emir Freitas, então um adolescente de 13 para 14 anos, fez as malas rumo a um destino desconhecido. “Meu pai já estava no Rio. Aí ele ligou para minha mãe e falou: ‘Os solteiros você bota na mala e traz todo mundo’”, lembra, entre risos. Assim, ele e os irmãos deixaram Campina Grande, uma das maiores cidades do Nordeste, para recomeçar a vida na Grota, favela localizada no coração do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. 

A primeira referência da família no novo estado foi o tradicional encontro de nordestinos em São Cristóvão. Ali, Emir deu os primeiros passos como comerciante ao lado do irmão. “Começamos a trabalhar lá. Ele tem loja até hoje, faz parte da associação dos nordestinos. Eu fui aprendendo, me aprimorando no ramo e hoje somos referência”, conta. 

Com o tempo, Emir construiu família, criou raízes e decidiu seguir seu próprio caminho profissional. Há 13 anos, encontrou na Grota, no Complexo do Alemão, o lugar ideal para abrir sua própria loja de produtos nordestinos, um ponto que se tornou parada obrigatória para quem busca um pedaço do Nordeste sem sair da comunidade. 

Um negócio simples que virou referência 

A loja é modesta, mas o movimento constante deixa claro que Emir supriu uma demanda real. “Aqui tem muita procura. Tem cliente que mora perto e já vem direto”, afirma. O produto campeão de vendas é o tradicional queijo coalho, item que chega fresquinho e rapidamente encontra destino nas mesas dos moradores. 

Com atendimento próximo e conversa sempre leve, Emir construiu mais do que uma clientela, ele criou vínculos. “É uma amizade, né? Aqui viramos uma família”, diz. O comerciante circula pela Grota com a naturalidade de quem se sente parte do território, e isso se reflete no dia a dia da loja. Ele conhece o gosto de cada freguês, sabe quem chega para comprar, para conversar ou apenas para lembrar da terra natal. 

Família, trabalho e futuro na comunidade 

Dos irmãos que vieram com ele do Nordeste, apenas os casados ficaram na Paraíba. O restante se espalhou pelo Rio, e Emir acabou fixando no Alemão seu principal ponto de vida e trabalho. “A loja é minha única fonte de renda e dá. Só trabalho aqui mesmo”, afirma, reforçando o sucesso do empreendimento. 

Sobre o futuro, o comerciante não pensa pequeno. “Eu penso em abrir outras filiais, em outros lugares”, projeta, sem deixar de reconhecer a força da Grota. O retorno financeiro e afetivo do local é o que permite que ele sonhe com expansão. 

Enquanto planeja novos caminhos, Emir segue atendendo atrás do balcão que ajudou a transformar a Grota em um pequeno corredor de sabores paraibanos. Na prateleira, farinha, manteiga-da-terra, doces típicos, temperos, amendoins, castanhas… e o queijo coalho, sempre o primeiro a acabar. No diálogo fácil com os moradores, um lembrete diário de que a migração não apagou suas raízes. 

Para Emir, empreender na favela também é sobre memória, pertencimento e comunidade. “Aqui dentro do Complexo do Alemão há espaço para muitas formas do Nordeste continuar vivo”. 

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