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Complexo do Alemão é escolhido para sediar Observatório do Calor

Sendo um dos lugares mais quentes do Rio, iniciativa da Secretaria de Meio Ambiente e Clima e Voz das Comunidades vai monitorar as altas temperaturas e a qualidade do ar

Foto: Rafael Costa / Voz das Comunidades
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Uma parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio e o Voz das Comunidades deu origem a uma iniciativa fundamental: o Observatório do Calor no Complexo do Alemão. O projeto busca medir e acompanhar de perto as altas temperaturas e a qualidade do ar na região, que é uma das mais quentes da cidade.

A proposta é simples: entender como o calor afeta a vida nas favelas e usar essa informação para melhorar a qualidade de vida dos moradores. Além disso, o projeto aposta na participação ativa da própria favela. Dez moradores da região serão selecionados e treinados para agir como pesquisadores, medindo temperatura e umidade três vezes por dia em diferentes pontos do território.

A ideia é transformar os dados em ações reais: desde mudanças no dia a dia das pessoas até propostas de políticas públicas. Os termômetros usados, que registram com precisão até décimos de grau, vão ajudar a mostrar, com números, o que os moradores já sentem há muito tempo. Como afirma Gabriela Conc, cofundadora do Voz das Comunidades, “o calor aqui não é só desconforto, é falta de cuidado com as favelas”.

Foto: Vilma Ribeiro / Voz das Comunidades

Segundo o Plano de Desenvolvimento Sustentável do Rio, o Complexo do Alemão é uma das principais ilhas de calor da cidade. A falta de áreas verdes, o excesso de construções e a ventilação precária tornam o local especialmente vulnerável às ondas de calor. Além disso, a região apresenta índices sociais abaixo da média da cidade, o que torna ainda mais urgente esse tipo de iniciativa.

A secretária de Meio Ambiente, Tainá de Paula, reforçou que o Observatório vai ajudar a entender melhor como o calor e a poluição afetam quem vive em áreas vulneráveis. A partir disso, será possível desenvolver soluções pensadas para a realidade dessas comunidades.

Além de gerar dados importantes, o projeto coloca os moradores no centro da solução. E, mais que isso, cria um modelo que pode ser levado para outras favelas do Rio e do Brasil.