A Rocinha, maior favela do Rio de Janeiro, viveu momentos de tensão entre a segunda-feira (15) e a terça-feira (16) de junho. A comunidade foi atingida por uma chuva histórica, que já entra para os registros como a terceira maior em 24 horas desde 1997, quando o Sistema Alerta Rio começou a medir os volumes de precipitação na região.
De acordo com os dados do Alerta Rio, a estação de medição da Rocinha anotou incríveis 254,6 milímetros de chuva em pouco mais de 24 horas. Para se ter uma ideia do tamanho desse volume, a média histórica de chuva para todo o mês de junho na região é de 108,5 milímetros. Isso significa que choveu mais que o dobro do esperado para o mês inteiro em apenas um dia.
O temporal, que começou na noite de segunda-feira, não veio sozinho. A força da água causou uma série de estragos que assustaram os moradores e expuseram, mais uma vez, a fragilidade da infraestrutura em áreas de risco.
Com o solo completamente encharcado e o risco de deslizamentos nas encostas, a Defesa Civil Municipal precisou agir. As sete sirenes de alerta instaladas na comunidade foram acionadas em dois momentos diferentes. O primeiro acionamento aconteceu entre 7h17 e 11h40 da manhã de terça-feira. O segundo, e mais crítico, foi às 14h07, quando os pluviômetros já registravam um acumulado de 188,2 milímetros em 24 horas.
O som das sirenes é um sinal claro de perigo. Ele indica que há alto risco geológico e que os moradores que vivem em áreas de encosta devem deixar suas casas imediatamente e se dirigir aos pontos de apoio definidos pela Defesa Civil.

Rompimento de tubulação causou deslizamento e destruição
O ponto mais crítico da tempestade aconteceu na Estrada da Gávea, a principal via de acesso à Rocinha. Um forte deslizamento de terra atingiu a pista na altura da Rua Portão Vermelho, causando pânico e destruição.
Segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), o deslizamento foi provocado pelo rompimento de uma tubulação da concessionária Águas do Rio. O vazamento de esgoto, combinado com a força da chuva, fez com que um barranco cedesse, arrastando lama, pedras e árvores.
A força da água e da terra foi tão grande que destruiu um muro de contenção, derrubou árvores de médio porte, invadiu uma igreja evangélica e arrastou carros e motos que estavam estacionados. Por pouco, um ônibus e uma van que passavam pelo local no momento do deslizamento não foram atingidos.
A Estrada da Gávea chegou a ser totalmente interditada, mas já foi liberada. Apesar disso, uma faixa da via ainda permanece ocupada para os trabalhos de limpeza e contenção.
Mais de 70 toneladas de terra foram removidas
O trabalho para limpar a bagunça deixada pelo temporal foi pesado. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) já removeu 70 toneladas de terra e entulho da encosta. Para isso, foram mobilizados 15 caminhões, três pás carregadeiras e 50 garis. A Rioluz também instalou refletores no local para melhorar a visibilidade e garantir a segurança das equipes durante a noite.
Além da limpeza, a Fundação Geo-Rio vai fazer um levantamento completo da área para iniciar obras de contenção e implantar um novo sistema de drenagem, com o objetivo de evitar que novas tragédias aconteçam.
