Com cerca de 6,2 milhões de pessoas morando no Rio de Janeiro, quase um terço da população vive em favelas. Isso significa dizer que são aproximadamente 2 milhões de pessoas que vivem em áreas de favela (quase 1 em cada 3 cariocas). É o que aponta a nova pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que divulgou dados do Censo 2022 na última sexta-feira (5).
Rocinha, favela localizada na Zona Sul do Rio, de acordo com levantamento, é considerada a maior favela do país, com 72.021 moradores, seguida das comunidades Rio das Pedras, na Zona Oeste, uma das maiores do estado, e Morro da Providência, no Centro. Os Complexos do Alemão e Maré, Zona Norte, tem grandes concentrações populacionais, com forte presença cultural e social.
Desigualdade ainda muito presente
Os dados recentes ainda revelam uma desigualdade marcante entre favelas e demais áreas do Rio de Janeiro. Enquanto 80,5% dos moradores fora desses territórios vivem em ruas com bueiros, nas favelas o índice cai para 58,9%. A situação é ainda mais crítica na Rocinha, onde apenas 25,2% dos moradores contam com esse serviço e somente 34,8% vivem em vias pavimentadas, o menor percentual entre as 20 maiores favelas e comunidades urbanas brasileiras.
Baixa arborização
A desigualdade também se reflete na arborização. Apenas 28,4% dos moradores de favelas vivem em trechos com árvores, enquanto nas áreas formais esse número chega a 71,6%. Em Rio das Pedras, o índice despenca para 3,5%, um dos mais baixos entre as grandes comunidades do estado, evidenciando a falta de planejamento urbano e de políticas públicas voltadas para a qualidade ambiental desses territórios.
Sem luz pública
Em escala nacional, o Censo 2022 mostra que 1,4 milhão de moradores de favelas ainda vivem em trechos sem iluminação pública, um dado que reforça a precariedade da infraestrutura básica. Atualmente, o Brasil concentra mais de 16 milhões de pessoas vivendo em favelas e comunidades urbanas, escancarando a ausência de ações do poder público para garantir condições dignas de vida a essa parcela significativa da população.
