O 2º Tribunal do Júri absolveu, nesta quarta-feira (11), os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria. Eles respondiam pelas acusações de homicídio contra o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, e de tentativa de homicídio contra Marcos Vinícius de Souza Queiroz. O caso ocorreu em agosto de 2023, durante uma operação policial na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste do Rio.
Durante o julgamento, a defesa dos policiais sustentou a tese de legítima defesa, alegando que Thiago estaria armado e teria atirado contra a equipe. Essa versão contradiz o depoimento de Marcos Vinícius, que pilotava a moto no momento da abordagem e afirmou que o amigo estava desarmado. A investigação policial e a assistência de acusação apontaram que os agentes utilizavam um carro particular na ação e que o adolescente foi atingido pelas costas.

Após a leitura da sentença que absolveu os políciais, a Anistia Internacional Brasil emitiu uma nota oficial manifestando indignação com o resultado. A organização destacou que, durante o júri, a estratégia de defesa buscou desviar o foco da conduta dos agentes para a vida da vítima. Segundo a entidade, houve tentativas de associar a imagem de Thiago à criminalidade, o que fere o direito à memória e inverte a lógica do julgamento.
A nota da Anistia também ressaltou dados sobre a letalidade policial. A organização pontuou que a morte de Thiago reflete um padrão que atinge majoritariamente a juventude negra: entre 2015 e agosto de 2025, 82,7% das vítimas de intervenção policial no Brasil eram negras. Familiares e ativistas realizaram protestos em frente ao Tribunal de Justiça, cobrando responsabilização do Estado.
Embora tenham sido absolvidos dos crimes contra a vida, os dois policiais militares continuam respondendo judicialmente por fraude processual. O Ministério Público acusa os agentes de terem alterado a cena do crime após os disparos para dificultar as investigações sobre a morte do estudante.
