Neste sábado, dia 20, completam-se oito anos desde que a vida do jovem Marcus Vinícius da Silva, de apenas 14 anos, foi interrompida. O estudante foi baleado e morto enquanto voltava da escola, vestindo o uniforme da rede pública, durante uma operação policial na Vila dos Pinheiros, no Conjunto de Favelas da Maré, Zona Norte do Rio. Quase uma década depois, a família do adolescente e os moradores da comunidade continuam sem respostas sobre os responsáveis pelo crime.
Para marcar a data e manter viva a memória do jovem, a ONG Redes da Maré promove neste sábado o ato “Levante Maré por Justiça”. A mobilização, que terá início às 15h, vai percorrer as ruas do território para denunciar não apenas a ausência de respostas no caso de Marcus Vinícius, mas também as barreiras históricas e burocráticas que impedem o acesso das populações de favela à justiça e aos direitos mais básicos.
O ato deste sábado reflete uma realidade alarmante documentada no território. De acordo com dados de monitoramento da Redes da Maré, nos últimos 10 anos foram contabilizados 167 mortos e 230 feridos em decorrência de operações policiais no conjunto de favelas. Desse total de mortes, o Ministério Público realizou apenas uma denúncia formal até hoje um dado que evidencia o abismo da impunidade que cerca a violência de Estado nas periferias.
O percurso da memória e a voz das mães
A caminhada começará na Clínica da Família Adib Jatene e fará um trajeto profundamente simbólico: os manifestantes vão refazer o mesmo caminho que Marcus Vinícius percorreu ao voltar da escola no dia em que foi morto, em 2018. O destino final será o espaço cultural Pontilhão, localizado embaixo da Linha Amarela.
Na chegada, o evento abrirá espaço para o debate “Nenhuma mãe cria seu filho pra morrer”. A mesa de conversa contará com a participação de Bruna Silva, mãe de Marcus Vinícius e uma das principais vozes da militância contra a violência de Estado no Rio, além de outras mães e familiares de vítimas que integram os coletivos Mães de Manguinhos e Justiça Global. Logo após o debate, serão exibidos vídeos inéditos produzidos pelo projeto Maré Por Justiça.
A organização convida moradores da Maré, de outras favelas do Rio e apoiadores dos direitos humanos a somarem forças na caminhada para exigir que as vidas da periferia parem de ser tratadas como estatística.

