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10 anos sem Jhonata: o menino do saco de pipoca que a família ainda espera por justiça

Adolescente de 16 anos foi morto com um tiro na cabeça durante operação da PM no Morro do Borel; mãe segue lutando e aguarda novo julgamento

Foto: Reprodução
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No dia 30 de junho completou exatos 10 anos que a vida do estudante Jhonata Dalber Matos Alves foi interrompida de forma brutal. Ele tinha só 16 anos, mas já ajudava a cuidar dos quatro irmãos mais novos enquanto a mãe trabalhava. Era um garoto do bem, como diziam os parentes, que amava soltar pipa e era muito carinhoso com a namorada. Na noite de 30 de junho de 2016, Jhonata foi até a casa de um tio no Morro do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio, para buscar saquinhos de pipoca. As pipocas seriam levadas para a festa junina da creche do irmão mais novo, que na época tinha apenas 4 anos.

O que parecia um dia comum se tornou uma tragédia. Quando Jhonata descia a rua com os saquinhos de pipoca na mão, uma operação da Polícia Militar acontecia na comunidade. Ele foi atingido por um tiro na cabeça. Levado em estado grave para o Hospital do Andaraí, o adolescente não resistiu aos ferimentos. A mãe, Janaína Alves, se desesperou ao saber da morte do filho: “A minha vida acabou!”, gritou.

A versão da Polícia Militar na época era de que o jovem teria participado de uma troca de tiros. Mas o Ministério Público do Rio de Janeiro investigou o caso e concluiu o contrário. Em 2018, o soldado Douglas Ferreira Zaia, da UPP do Borel, foi denunciado pelo assassinato de Jhonata. As promotoras afirmaram na denúncia que o jovem foi vítima de um “justiçamento abjeto”, ou seja, foi executado porque o policial acreditava, sem provas, que ele estava envolvido com o tráfico. Segundo o laudo, Jhonata foi atingido pelas costas, com um tiro à curta distância. Nenhuma arma foi encontrada com ele.

A investigação ficou mais de um ano parada. Foi a luta incansável da mãe, Janaína, que fez o caso andar. Ela correu atrás de justiça, se juntou a um grupo de mães de vítimas da violência no Rio e, depois de muitos protestos, conseguiu que o inquérito fosse levado a sério. “A polícia não tinha nem apreendido o saco de pipocas que estava com meu filho. Guardei tudo até ser chamada para prestar depoimento”, contou Janaína.

Passados 10 anos, a espera continua. Em uma entrevista ao Voz das Comunidades, Janaína contou que a audiência do caso foi marcada para o ano que vem. “São 10 anos de espera. É muito difícil. É muito difícil mesmo”, desabafou a mãe.

Enquanto o julgamento não chega, a dor de Janaína e de toda a família segue viva. A história de Jhonata Dalber Matos Alves é um lembrete doloroso de que, para muitas famílias das comunidades, a justiça demora, mas a luta por ela não pode parar.

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