A Justiça Militar aceitou denúncias do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra 10 policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Os agentes se tornaram réus por irregularidades cometidas durante uma operação no Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte, em 10 de janeiro. A decisão baseia-se em investigações do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), que apontaram condutas ilícitas da tropa de elite dentro da comunidade da Nova Holanda. A informação é do Portal g1.
De acordo com a denúncia, os policiais entraram em 13 residências sem autorização dos moradores ou ordem judicial. Para acessar os imóveis, os agentes teriam utilizado chaves mestras ou arrombado as portas. Além da invasão, os réus responderão por descumprimento de missão, já que deixaram de realizar o patrulhamento para permanecer dentro das casas, onde chegaram a dormir, usar os banheiros e consumir alimentos das geladeiras das famílias.
Outro ponto grave apontado pelo MPRJ é a recusa de obediência devido à obstrução deliberada das câmeras operacionais portáteis (COPs). Os registros das ações resultaram em “telas pretas”, o que impediu a fiscalização do trabalho policial. Entre os denunciados está o 1º tenente Felippe Carlos de Sousa Martins, que já é réu por homicídio em outro caso, envolvendo a morte de Herus Guimarães Mendes durante uma festa junina no Morro Santo Amaro, em 2024.
Os 10 policiais identificados ocupam patentes que vão de cabo a 1º tenente. São eles:
- Bruno Martins Santiago,
- Carlos Alberto Britis Júnior,
- Luís Claudio Santos da Silva,
- Diego Ferreira Ramos Martins,
- Diogo de Araújo Hernandes,
- Douglas Nunes de Jesus,
- Felippe Carlos de Sousa Martins,
- Jorge Guerreiro Silva Nascimento,
- Rodrigo da Rocha Pita
- e Rodrigo Rosa Araujo Costa.
A denúncia aceita pela Justiça reforça a cobrança por transparência e respeito aos direitos fundamentais dos moradores de favela.
Em nota, a Polícia Militar informou que instaurou um procedimento interno para apurar o caso e que enviou o relatório à Auditoria de Justiça Militar. O processo seguirá agora na esfera judicial, onde os agentes deverão apresentar defesa diante das acusações de violação de domicílio e prevaricação (abuso de poder).
