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Justiça do Rio condena três PMs a 90 anos de prisão por execução de seis pessoas no Morro da Coroa

Desembargador apontou que vítimas foram atingidas pelas costas e à queima-roupa; crimes ocorreram durante operação da PM em 2009

Foto: Divulgação
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A Justiça do Rio condenou a 90 anos de prisão em regime fechado três policiais militares envolvidos na morte de seis pessoas durante uma operação no Morro da Coroa, no Catumbi, em abril de 2009. Os condenados são Vagner Barbosa Santana, Jubson Alencar Cruz Souza e Leonardo José Jesus Nunes, todos lotados na época no 1º BPM (Centro). A decisão é da 8ª Câmara Criminal, que acolheu recurso do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e determinou a prisão imediata dos agentes.

Segundo o MP, os PMs “agiram com violência desnecessária”, e não há provas de que tenham sido atacados durante a ação, como alegado inicialmente pela corporação. O desembargador Gilmar Augusto Teixeira destacou que as vítimas “foram executadas sumariamente, com disparos pelas costas, principalmente na cabeça, e à curta distância”.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que ainda não foi oficialmente notificada, mas que, ao tomar conhecimento da decisão, iniciou os procedimentos para cumprir os mandados de prisão. Os três policiais serão transferidos para a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, para que os processos administrativos também sejam retomados.

Execuções no Morro da Coroa

Os crimes ocorreram no dia 2 de abril de 2009, durante uma incursão da PM na comunidade da Coroa, sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas. Uma das vítimas, Josenildo Estanislau dos Santos, de 42 anos, que trabalhava como lanterneiro, foi baleado na nuca logo após ser abordado pelos policiais. Ele saía de casa para comprar cigarros em um bar da região. Outras vítimas identificadas foram Gabriel Borges Corrêa de Ávila, Gregory Marinho Castilho e Rafael Martins.

Além dele, outros cinco homens foram mortos na mesma operação. A PM sustentou que os mortos eram ligados ao tráfico e teriam morrido em confronto, o que foi contestado por testemunhas e familiares, que apontaram execuções sumárias.

As seis vítimas chegaram a ser levadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, mas já chegaram à unidade sem vida.