A favela tomou conta do Centro do Rio. Desde sexta-feira, dia 30 de outubro, a Praça Marechal Âncora recebe a primeira edição do Festival Favela Cria. O evento é de graça e o último dia é nesta segunda-feira, dia 2 de novembro. Cada dia começa às 14h e vai até as 22h.
O festival tem shows de artistas como Nanda Tsunami, MC Hariel, Carol de Niterói, Duquesa e Ebony. Mas não é só música. Quem passa pela praça também encontra feira de empreendedores das comunidades, comida, livros, rima, slam, grafite e batalha de barbeiros. Tudo feito por gente que vive na favela. Segundo os organizadores, cerca de 99% dos profissionais que trabalham na produção do festival vêm das comunidades. Eles atuam em áreas como tecnologia, comunicação, organização e estrutura do evento.


O grafite colore o espaço e mostra a arte que nasce nos muros e nas ruas das favelas. Já a batalha de barbeiros dá palco a um trabalho muito forte nas comunidades. É o talento de quem corta cabelo e faz arte com a máquina, e que agora pode ser visto por muito mais gente.
Um dos serviços mais importantes do festival é a chance de mostrar o trabalho de quem empreende na comunidade. Evelyn, dona do Peixe Frito Padre Miguel, está na feira e conta que o festival traz mais gente conhecendo o seu negócio. Ela também fala de outra coisa importante: o trabalho. “Está trazendo também oportunidade de pessoas, está trabalhando comigo”, disse. Para ela, estar ali é a realização de um sonho do marido, que já faleceu. O sonho dele era ver o Peixe Frito ganhar visibilidade. “É o início de uma trajetória de sucesso”, afirmou.

Os livros também ganharam espaço. Flávio Braga, de 40 anos, está no festival com obras suas e de outros escritores do Rolê Literário, um grupo de escritores e escritoras do subúrbio. Para ele, levar livro a um festival é uma forma de resistir num tempo em que todo mundo vive no celular. Flávio explica que o livro faz a pessoa desacelerar, ter calma e prestar atenção. Ele acredita que o livro é importante porque ajuda a guardar a memória, passar a história de geração em geração e sonhar com um mundo melhor.

O jeito de participar também foi simples. Viviane Marinho, de 51 anos, nascida e criada no Complexo da Penha, ficou sabendo do festival pelas redes sociais. Ela viu que o único pedido era ser “cria” de alguma favela do Rio, se inscreveu e foi selecionada. Viviane está no festival todos os dias, e para ela a sensação é de pertencimento, de se sentir parte do lugar.

O nome do festival diz muito sobre ele. “Cria” é quem nasceu e cresceu na favela. E o Favela Cria mostra que a comunidade tem talento, tem trabalho e tem muito o que oferecer à cidade. Quem ainda não foi tem hoje a última chance. A entrada é gratuita, na Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio, das 14h às 22h.
