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Favela Cria chega ao Centro do Rio com quatro dias de cultura produzida na favela; saiba como garantir seu ingresso

Festival gratuito começa na sexta, dia 30, e tem show, feira, rima, slam e muito mais

Foto: Beatriz Madeira
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A favela vai tomar conta do Centro do Rio. De 30 de outubro a 2 de novembro, a Praça Marechal Âncora recebe a primeira edição do Festival Favela Cria. A entrada é de graça e o evento funciona todos os dias, das 14h às 22h. A organização espera cerca de 15 mil pessoas por dia.

O festival junta música, arte, literatura, moda, comida, poesia e negócios de quem vive nas comunidades. Quem for vai poder passar por vários espaços e ver de perto o talento que nasce na favela.

No Palco Complexos, o maior do festival, a música começa no dia 30 com NandaTsunami e MC Hariel. No dia 31, o palco comemora os dez anos do Favela Vive com ADL, que convida Dexter, Menor do Chapa, Kmila CDD, MC Marechal, Sant e Carol de Niterói. No dia 1º de novembro, é a vez de Tasha & Tracie e Duquesa. No último dia, sobem ao palco Baile do Rasta, Ebony e Cash Box. O encerramento fica com a Equipe Pipo e o DJ Zullu.

Mas o festival não é só show. Durante os quatro dias, vai ter feira de moda com 25 expositores, feira de comida com 20 participantes e feira de livros com outros 20. Também haverá uma exposição de arte com dez artistas e outra de grafite com seis. Todos foram escolhidos depois de se inscrever e passar pela avaliação da equipe do festival.

No Palco Cria, entre 30 de outubro e 1º de novembro, acontecem as batalhas de rima e de slam. As finais das duas disputas serão no dia 1º. Também vai ter a Batalha dos Barbeiros, com provas de corte, reflexo alinhado e desenho. Cada dia terá uma prova. No Espaço Rasta Beach, DJs tocam na hora do pôr do sol nos dias 30, 31 e 1º. No dia 2, o encerramento da feira de livros terá a Folia de Reis do Morro da Formiga e a apresentação Samba, filosofia e poesia, com Vanessa Pereira.

Um festival feito com a favela, e não só sobre ela

A ideia do Favela Cria nasceu na pandemia, com Daniel Barcinski, Raull Santiago e Rene Silva, depois de muita conversa com lideranças da cultura da periferia. O objetivo é abrir espaço para artistas e empreendedores das comunidades e criar ligações que continuem depois do festival.

“Eu queria construir algo que realmente transformasse vidas e permanecesse depois que as luzes se apagassem”, conta Daniel Barcinski.

Cada área do festival tem uma pessoa da própria área escolhendo quem vai participar. Ivan Errante Costa cuida da literatura. Agrade Camíz, das artes. Jéssica Yjí, da moda. David Vieira Bispo, da comida. André Kajaman, do grafite. Erica Nunes, da Batalha dos Barbeiros. Rico Neurótico, da batalha de rima. E Preta Poética, do slam.

Foto: Reprodução

O interesse foi grande. Até 16 de setembro, o festival recebeu 1.559 inscrições de gente de 55 cidades do estado do Rio. Dessas, 42% vieram de fora da capital.

A favela também está na equipe. Segundo a organização, cerca de 99% dos profissionais que trabalham no festival vêm de comunidades. Eles atuam na produção, na tecnologia, na comunicação, na organização, na comida, no atendimento, na montagem e na estrutura. São cerca de 650 empregos diretos e 400 indiretos.

“O Favela Cria foi pensado para ser construído com a favela, e não apenas para falar sobre ela”, diz Daniel.

Backstage de Cria: aprender e criar contatos

O festival também vai ajudar quem quer viver da própria arte. O Backstage de Cria é a parte de formação do evento, organizada com o YouTube Brasil e o Instituto Papo Reto. Todos os artistas escolhidos participam.

Em dois dias, haverá palestras, debates e rodas de conversa, com transmissão pelo YouTube Brasil. Os temas incluem como fazer negócio com cultura, leis que ajudam a pagar projetos culturais, redes sociais, direitos dos artistas e como viver de arte na periferia. Também se fala do papel do funk, do rap e do slam na vida dos jovens e do valor da cultura da periferia para o Brasil.

A ideia é que os encontros tragam oportunidades que durem depois do festival, ajudando artistas a crescer e a manter seus projetos nas favelas.

Cuidado com as mulheres e meio ambiente

Haverá ainda um espaço só para mulheres, com área de descanso, espaço para crianças, banheiro exclusivo, itens de higiene e uma sala reservada para atendimento quando for preciso. Também vai ter coleta seletiva, separação de latas nos bares e um copo para cada pessoa, para diminuir o lixo. O material reciclável vai para cooperativas ligadas ao Light Recicla, programa que troca o que foi recolhido por desconto na conta de luz. Esse desconto deve ir para uma instituição de uma favela, que ainda vai ser escolhida. A organização também quer calcular o carbono gerado pelo evento e compensar isso.

Como pegar o ingresso

A entrada é gratuita, mas é preciso pegar o ingresso no site do festival, fazendo um cadastro. Cada CPF pode retirar apenas um ingresso.

O Favela Cria é realizado pelo Instituto Papo Reto, Voz das Comunidades, Instituto Ademafia, Instituto Favela Cria e Instituto Pro Bono Brasil. O evento é apresentado pela Petrobras e tem patrocínio de Vale, Light, Santander, YouTube, Prefeitura do Rio e Grupo Águas do Brasil, por meio de leis de incentivo à cultura.