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Eleições 2026: O que os candidatos a governador pensam sobre saneamento básico para as favelas do RJ

Apesar de ser direito básico, nenhum dos três principais candidatos ao governo do Rio apresentou propostas específicas para levar água, esgoto e drenagem às comunidades, deixando moradores em busca de respostas concretas

Foto: Reprodução
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Quem mora em favela conhece bem o problema. Falta água na torneira, o esgoto corre a céu aberto na porta de casa, o lixo se acumula nos becos e, quando chove forte, a água invade tudo. Tudo isso é a falta de: saneamento básico. Saneamento básico é ter água limpa chegando em casa, esgoto recolhido e tratado, coleta de lixo e um sistema que leve embora a água da chuva sem alagar as ruas. É um direito de todo mundo, mas nas favelas do Rio de Janeiro ele ainda não chega plenamente como deveria.

No dia 4 de outubro, o povo do estado vai escolher o novo governador. Por isso, o Voz das Comunidades foi atrás de saber o que os candidatos pensam sobre o saneamento nas favelas. A reportagem olhou os planos de governo dos três candidatos mais bem colocados na pesquisa Datafolha divulgada no dia 11 de setembro. Nessa pesquisa, Eduardo Paes (PSD) tinha 43% das intenções de voto, Douglas Ruas (PL) tinha 25% e Garotinho (Republicanos) tinha 10%.

Eduardo Paes: plano ainda não fala de saneamento

O plano de governo de Eduardo Paes ainda é uma versão preliminar, ou seja, um rascunho que pode mudar. Nesse documento, a palavra saneamento não aparece. O plano também não fala em favelas quando trata de água e esgoto.

O que mais se aproxima do tema é a promessa de fazer um grande plano de obras contra enchentes e deslizamentos em todo o estado, com atenção especial para a Região Serrana, a Costa Verde e a Baixada Fluminense. Paes também promete criar um Conselho das Cidades, ligado direto ao governador, para trabalhar junto com os 92 prefeitos, e garantir que o dinheiro para saúde e educação chegue às prefeituras sem atraso. Quando fala das favelas, o plano de Paes trata principalmente da violência.

Douglas Ruas: cobrar das empresas de água e esgoto

O plano de Douglas Ruas, chamado Plano do Rio Real, fala mais sobre o assunto, mas também não traz uma proposta só para as favelas. A principal promessa é fiscalizar melhor as empresas que hoje cuidam da água e do esgoto no estado. Segundo o plano, o governo vai cobrar que essas empresas cumpram o contrato, levem água e esgoto para todo mundo, diminuam o desperdício de água e ampliem a rede de esgoto, principalmente nos lugares onde falta mais. O plano também promete trabalhar para despoluir rios e lagoas e mostrar os resultados para a população.

Ruas também promete limpar e desentupir canais todo ano, criar parques que seguram a água da chuva para evitar alagamentos, vigiar as encostas e mandar alertas de chuva forte direto para o celular do morador. Uma das propostas fala de núcleos de defesa civil dentro das comunidades de maior risco, com treinamento de lideranças locais. Na parte do lixo, o plano promete acabar com os lixões e ajudar as cooperativas de catadores. O governo também ajudaria as prefeituras a tirar do papel obras de saneamento, drenagem e contenção de encostas.

Garotinho: favelas como prioridade no saneamento

O plano de governo de Garotinho tem 240 páginas e é o único dos três que fala das favelas de forma direta quando o assunto é água e esgoto. O documento diz que nenhuma comunidade pode ficar sem saneamento. A proposta, chamada Saneamento Básico para Todos, promete rede de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, sistemas para escoar a água da chuva e evitar enchentes, limpeza de rios, canais e lagoas e acompanhamento da qualidade da água.

Segundo o plano, a prioridade do governo será levar o serviço para favelas, periferias, áreas rurais e lugares que sempre ficaram de fora. Para isso, o documento fala em usar soluções feitas para a realidade desses lugares, como redes de esgoto que passam por dentro dos quarteirões e becos e pequenas estações de tratamento. As obras de esgoto seriam feitas junto com o calçamento das ruas e a drenagem.

O plano de Garotinho também promete urbanizar as comunidades, com ruas calçadas, iluminação, praças e quadras, e entregar material de construção para o morador melhorar o banheiro e o esgoto de casa, no programa Minha Casa Melhor. Na área da segurança, o documento diz que, depois que a polícia entrar em uma comunidade dominada pelo crime, o Estado vai chegar com vários serviços ao mesmo tempo, entre eles o saneamento. O plano ainda promete coleta de lixo todos os dias e pontos de entrega de material reciclável.

Sobre as empresas que hoje cuidam da água e do esgoto, o plano diz que o governo vai fiscalizar com rigor se elas cumprem as metas do contrato e vai mostrar o andamento das obras em cada cidade. O documento também abre a porta para parcerias com empresas privadas para fazer as obras. Durante a campanha, porém, o discurso foi outro. Garotinho disse que, se for eleito, vai romper os contratos com as concessionárias de água e esgoto sem pagar indenização e devolver o serviço à Cedae, defendendo que isso pode baratear a conta de água. Essa promessa de desfazer a venda da Cedae não aparece no plano de governo entregue à Justiça Eleitoral.

Vale lembrar que a candidatura de Garotinho está sendo questionada na Justiça. No dia 29 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio manteve, por unanimidade, a decisão que negou o registro da candidatura dele. A decisão se baseia em uma condenação por improbidade administrativa que suspendeu os direitos políticos do ex-governador. A defesa disse que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. Mesmo assim, o nome de Garotinho vai aparecer na urna no dia 4 de outubro e ele pode receber votos. Mas, se o tribunal superior confirmar que ele não pode concorrer depois do primeiro turno, os votos dados a ele serão anulados.

E as favelas?

Depois de ler os planos, uma coisa chama atenção: nenhum dos três candidatos apresentou, até agora, um projeto feito especialmente para levar água, esgoto e drenagem para as favelas do Rio. As propostas falam do estado como um todo, das empresas de saneamento, das enchentes e das prefeituras. Mas quem vive nas comunidades sabe que a situação ali é diferente e precisa de atenção própria.

Por isso, o morador de favela tem um papel importante nessa eleição. Antes de votar, vale perguntar aos candidatos como eles vão fazer a água chegar todos os dias na torneira, como vão acabar com o esgoto a céu aberto nos becos e vielas e como vão proteger as famílias que moram nas encostas. Saneamento é saúde, é dignidade e é direito de toda comunidade.

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