A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) lançou, no dia 31 de julho, o RADAR CLIMA RJ, iniciativa que pretende acompanhar a aplicação dos recursos públicos destinados ao enfrentamento da crise climática no estado. A proposta é reunir diferentes instituições e organizações para produzir informações sobre o orçamento climático e ampliar a participação da sociedade nesse debate.
O projeto é desenvolvido pelo Instituto de Geografia e pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO) da UERJ. A iniciativa parte do entendimento de que os impactos das mudanças climáticas não atingem todos os territórios da mesma maneira e que, por isso, também é necessário observar onde os investimentos públicos estão chegando.
Segundo Antônio Oscar, responsável pelo RADAR CLIMA RJ, não basta identificar quanto o Estado investe em ações de adaptação e mitigação. É preciso acompanhar onde, como e para quem esses recursos são destinados. “O RADAR CLIMA RJ pretende contribuir para isso tornando o orçamento climático mais transparente e territorializado”, explica Oscar.

A proposta é desenvolver ferramentas capazes de rastrear os investimentos públicos e relacioná-los às diferentes vulnerabilidades socioambientais existentes no estado. O objetivo é criar indicadores que ajudem a identificar se a aplicação dos recursos é compatível com as necessidades de cada território.
Participação dos territórios
A construção do RADAR CLIMA RJ também prevê a participação de movimentos sociais e organizações da sociedade civil na definição dos critérios e indicadores utilizados pelo projeto.
Para Oscar, quem vivencia os impactos da emergência climática precisa participar da definição das prioridades das políticas públicas. “Não é apenas quanto se investe, mas se o investimento público é coerente com a realidade dos territórios e se está reduzindo ou reproduzindo desigualdades”, afirma.
A primeira reunião do RADAR CLIMA RJ teve justamente o objetivo de iniciar essa construção coletiva. O encontro reuniu pessoas e instituições que atuam em diferentes áreas relacionadas ao clima, às periferias e à produção de conhecimento.
Entre os temas discutidos estão o que deve ser considerado investimento público em clima, quais informações podem apoiar a atuação das organizações e como os participantes poderão contribuir nas próximas etapas do projeto.
Dados produzidos nos territórios
Outro ponto destacado por Oscar é a importância dos dados produzidos diretamente nos territórios. Segundo o responsável pelo RADAR CLIMA RJ, moradores, coletivos e organizações locais também são produtores de conhecimento e podem revelar desigualdades que não aparecem nos sistemas tradicionais de monitoramento. “Os territórios não são apenas lugares onde coletamos dados, eles também produzem ativamente dado, informação e conhecimento”, destaca.
Essas informações podem contribuir para identificar áreas prioritárias para ações como arborização, melhorias habitacionais, instalação de equipamentos públicos, criação de espaços de resfriamento, intervenções urbanísticas e políticas de saúde.
O RADAR CLIMA RJ pretende aproximar essa produção de conhecimento da discussão sobre orçamento público. A ideia é que os dados ajudem a apontar onde estão as maiores necessidades e contribuam para orientar os investimentos em adaptação e mitigação climática.
Para Oscar, essa aproximação também pode fortalecer o diálogo entre sociedade e poder público. “Queremos aproximar experiências de monitoramento comunitário da discussão sobre orçamento climático. O conhecimento produzido nos territórios certamente ajudará a revelar quais são e onde estão as maiores necessidades e, consequentemente, orientar para onde o investimento público deve ser direcionado.”
A iniciativa, portanto, busca ampliar o debate sobre mudanças climáticas para além dos impactos ambientais, incorporando também a discussão sobre transparência, orçamento público e justiça climática.
