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Chapéu do Chef combate insegurança alimentar e garante primeira refeição de dezenas de estudantes

Organizado por Nego Breu, iniciativa acontece no Chapéu Mangueira e luta para manter cozinha solidária

Foto: Reprodução
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Na Ladeira Ari Barroso, no Leme, a primeira grande lição do dia não é ensinada nos quadros das escolas da rede pública, mas sim no balcão da Cozinha Solidária do projeto Chapéu do Chef. É ali que, todas as manhãs de aula, entre 45 e 72 crianças moradoras dos morros do Chapéu Mangueira e da Babilônia recebem o café da manhã: fruta, pão fresquinho, leite e suco. O gesto, liderado pelo chef Carlos Alberto da Silva Fontes, conhecido por todos como Nego Breu, enfrenta diretamente a insegurança alimentar em um país onde o direito constitucional à alimentação básica ainda é um desafio diário nas favelas.

O Chef Carlos Fontes traz em sua trajetória e no sorriso a marca de uma jornada desenhada pela superação. Ex-militar do Exército Brasileiro, ele enfrentou e venceu a dependência química após uma internação de cinco meses. O verdadeiro ponto de virada, contudo, veio com a dor mais profunda que um pai pode experimentar: a perda de seu filho para o crime organizado enquanto trabalhava embarcado. De volta ao morro, transformou o luto em luta comunitária.

Inicialmente focado em vender marmitas comercialmente, o projeto mudou drasticamente de rumo com a chegada da pandemia de Covid-19. Ao se deparar com a fome avassaladora nas ruas, Nego Breu colocou a comida nas costas e passou a distribuí-la gratuitamente. O que começou como uma ação solitária cresceu, ganhou o reforço voluntário de 15 mulheres da comunidade e alcançou a impressionante marca de 36.800 refeições distribuídas.

“Não fui falar para as pessoas que eu tinha mudado. As pessoas precisavam me ver mudado. A cozinha solidária é uma questão de política pública.”

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Foto: Reprodução
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Foto: Reprodução

Hoje, a iniciativa expandiu sua atuação institucional. O reconhecimento do impacto social da ação cruzou fronteiras: Nego Breu recebeu o prestigiado Diploma Paul Singer por sua atuação no combate à fome e no fomento à Economia Solidária e participou de debates no G20 Brasil 2024.

“Quando eu era criança, ia para a escola com fome. Isso é um ciclo muito ruim que acontece dentro das favelas e que nós precisamos quebrar. As crianças são a esperança do nosso futuro. Tudo começa na escola. Se há uma refeição digna, temos crianças saudáveis. Na favela, muitas vezes a mãe precisa dividir o que vai comer para sobrar para o dia seguinte. A vida inteira aquela criança come pouco e a mãe passa fome. Isso não é mentira, é a nossa realidade.”

Para manter as panelas cheias e garantir o fornecimento diário dos alimentos, o projeto enfrenta o desafio de cobrir um custo mensal estimado em R$ 4.500 reais. Sem recursos públicos fixos, a iniciativa sobrevive integralmente da solidariedade, dependendo de doações de investidores, de moradores, de comércios e de apoiadores que abraçam a causa. Apesar das dificuldades financeiras e do risco constante de interrupção das atividades, a liderança do projeto afirma que não vai parar.

Para apoiar a Cozinha Solidária, qualquer pessoa pode fazer uma doação de qualquer valor pela chave PIX (e-mail): [email protected]. Para acompanhar o trabalho diário com as crianças ou fechar parcerias, siga o Instagram @chapeudochefe ou entre em contato direto pelos telefones (21) 96526-8562 (Carlos) e (11) 98605-6779 (Amanda).

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