Capoeiristas de um projeto social da Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro, acusam uma turista colombiana de racismo. O caso aconteceu na última terça-feira (26), enquanto o grupo fazia uma apresentação cultural.
De acordo com integrantes do projeto Acorda Capoeira, composto por jovens negros, a turista, que fazia parte de um um grupo com 14 colombianos que visitavam a comunidade, colocou uma banana em um saco usado para arrecadar dinheiro após a apresentação.
O artista João Grilo, que faz parte da iniciativa, publicou nas redes sociais expondo a situação e lamentando o ocorrido. “É muito triste ter que vir aqui e falar que essas situações ainda acontecem e não tá acontecendo longe da gente. Não tá acontecendo em outro país. Tá acontecendo no nosso espaço de trabalho… Que a justiça seja feita.”
O caso é investigado pela 11ª DP (Rocinha), e os agentes analisam as imagens das câmeras de segurança. A identidade da suspeita não foi divulgada, até a publicação deste texto.
Em nota, a Secretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial manifestou repúdio ao ato praticado pela turista na Rocinha e reitirou que racismo é crime. “O artigo 20 da Lei n° 7.716/1989 prevê pena de reclusão de um a três anos para quem praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor ou etnia. Não haverá minimização, nem tolerância.” Por fim, informou que já estabeleceu contato com o grupo de capoeiristas atingidos e está prestando todo o suporte necessário para o encaminhamento das medidas legais cabíveis.
Acorda Capoeira é um projeto esportivo e sociocultural que desenvolve um trabalho a mais de 10 anos na Rocinha com crianças e jovens, negros, através da capoeira, expressão cultural e arte marcial afro-brasileira, atualmente Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade reconhecido pela UNESCO.
