Ir para o conteúdo

“Voz de Sereia”: artista Pérola Kenia se destaca na cena R&B com o EP Armadilhas do Amor Vol. II

Diretamente de São Gonçalo, a multiartista lançou o EP "Armadilhas do Amor Vol. II"

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades
Ouça este conteúdo
00:00 00:00
Leitura pronta para iniciar

“Eu sou uma pessoa que ama demais”, conta Peróla Kenia sobre sua construção artística e originalidade do EP Armadilhas do Amor Vol. II. A artista por trás é Moama Kenia, de 32 anos, mãe de uma criança de 10 anos, natural de São Gonçalo e passou parte da vida com sua família, no município de Cachoeiras de Macacu.

Uma curiosidade é que a expressão “Armadilhas do Amor” nasce da junção dos dois significados do nome Moama, que tem origens tanto indígena quanto indiana. Para Pérola, na versão indígena, representa “aquela que faz armadilhas”. Já na versão indiana, significa “muito amor”. Desse encontro, surge a inspiração para o título: Armadilhas do Amor.

Armadilhas do Amor Vol. II, se apresentou ao mundo e está disponível em todas as plataformas digitais, desde o dia 14 de setembro, com cinco faixas que narram aventuras e desaventuras de amor. “Eu sempre tenho uma vivência de armadilhas do amor, que eu faço ou que eu caio, nunca se sabe”, brinca a artista ao falar sobre seu novo projeto. O EP é uma continuação do Armadilhas do Amor Vol. I. Peróla tem como inspiração a artista IAM DDB que traz no seu projeto Urban Jazz composto por vários volumes.

Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades

O EP nasce em parceria com o estúdio Smooth.corp . “Fui lá para gravar esse som, eu nem conhecia o estúdio, nem sabia nada, aí cheguei lá e eles me mostraram o catálogo de beat, eu jantei uns cinco”, explica como construiu a relação com os produtores e a gravadora. A música que inaugura é “Primeiro Feitiço” que a artista ganhou de presente da Ella Lopes, e esclarece que o nome é esse porque já te pega pela primeira música, com uma atmosfera tranquila.

“Vadios” é uma música que Pérola escreveu para alguém que viu apenas uma vez na vida, mas que deixou marca. Ela considera sua música favorita e melhor composição. Como referência, usou a canção Leãozinho, de Caetano Veloso, buscando transmitir um clima sensorial: ao ouvir, o público deve se sentir transportado para uma praia, embalado pelo som das ondas, já que a faixa começa com o barulho do mar.

A sonoridade única e a identidade musical de Pérola se revelam em detalhes marcantes no início ou no fim de suas canções. “Já tem aquele diferencial para as pessoas saberem quem sou eu: ‘Pérola Kenia Crystal Gems’, explica. O nome artístico, aliás, é inspirado na personagem Pérola do desenho Steven Universe, com quem a artista se identifica pela personalidade.

Vivência dentro da música

“Eu sou música, independente do gênero, seja rock, seja funk, seja rap, independente. Acho o que eu me proponho a fazer seja qual que seja, eu vou conseguir dominar”, enfatiza a cantora sobre sua relação intíma com a arte.

Ela vem de uma família com forte ligação à cultura negra em Cachoeiras de Macacu, há mais de 40 anos. “Não tinha muito como eu não ser artista”, comenta. Sua tia é escritora e compositora, outra tia toca diversos instrumentos de ouvido, e a mãe canta, além de trabalhar com artesanato, costurando e criando peças manuais. Apesar dessa tradição familiar voltada para MPB, samba e ritmos similares, a cantora seguiu um caminho próprio em sua música.

A artista canta desde sempre, por influência de uma família artística, estudou canto por dois anos em Cachoeiras de Macacu, dos 16 aos 18 anos. Ela também toca instrumentos de percussão e revela o desejo de lançar um álbum repleto de instrumentais. Ao longo da carreira, participou de uma girl band e chegou a ter uma banda com os próprios primos, explorando diferentes experiências musicais, cantava em blocos de carnavais e em carnavais de rua.

A artista Pérola Kenia. Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades

Movimento R&B Underground

O R&B (Rhythm and Blues) é um gênero musical que surgiu nos Estados Unidos na década de 1940, fruto da fusão de estilos como gospel, jazz e blues. Suas características incluem vocais potentes, ritmos marcantes e groove, instrumentais ricos e letras que frequentemente abordam temas pessoais e românticos.

Pérola tem plena consciência de sua musicalidade e da potência de seu canto. “Acho que eu não conheço artistas que tenham timbre vocal parecido com o meu, pelo menos não no Brasil”, declara a artista, destacando suas habilidades técnicas. Além disso, ela apresenta um repertório rico em referências, como na faixa “Dizer”, em parceria com Estefane Bér, que mostra influencia de “Você vai estar na minha”, da Negra Li.

Ela gosta de escrever sobre suas próprias vivências e romances, sem se restringir em sua expressão artística. Sobre sua arte, Pérola comenta. “Os caras falam um monte de besteira por aí, e estão ganhando rios de dinheiro. A diferença é que eu sei cantar. Mas minhas músicas também falam sobre autoconhecimento, liberdade sexual e a forma como me expresso sem vergonha.”

Durante muito tempo, Pérola se questionou se deveria gravar certos tipos de músicas, considerando sua idade e a maternidade. Mas decidiu que tinha repertório e qualidade para criar algo significativo: “Tem muita música ruim sendo feita, então acho que tenho bastante música de qualidade para produzir algo bom.”

Como artista independente, ela reconhece que o maior desafio é financeiro. Ainda assim, afirma que o universo tem colocado em seu caminho pessoas que acreditam em seu trabalho. Graças a essas parcerias, foi possível lançar o EP Armadilhas do Amor Vol. II, e ela vem conquistando seu espaço com um engajamento orgânico que triplicou tanto o número de ouvintes quanto as visualizações das músicas. Ela acredita firmemente que seu projeto tem tudo para se consolidar como a Voz de Sereia da cena do R&B.

Baile da Peróla

A audição do EP aconteceu no Espaço Jah Lapa, no centro do Rio de Janeiro, na última sexta-feira, 19 de setembro. O evento, que já chega à sua terceira edição, contou com parceria da Marcha das Favelas e apoio das marcas Hocus Pocus, App SalvAê, A Piteira, Rolling Circus, Puff Life, Green Go e Laralitos, oferecendo brindes, sorteios e ativações ao público.

O Baile da Pérola teve apresentações especiais, incluindo pocket shows de Estéfane Bér e Sista Wolff, além das performances dos DJs Daya, Santhin, Morador e DJ Suco de Uva. A noite também marcou o tão aguardado show de estreia ao vivo do EP Armadilhas do Amor Vol. II.

Edição: Jonas di Andrade

Eleições 2026: tudo o que você precisa saber antes de votar. Um guia prático antes das urnas.Acessar a cartilha