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Observatório do Calor é lançado no Complexo do Alemão

Iniciativa inédita da Secretaria de Meio Ambiente e do Voz das Comunidades, temperatura será monitorada pelos moradores do Alemão

Lançamento do Observatório do Calor CPX. Foto: Uendell Vinícius/ Voz das Comunidades
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“Eu acredito que a favela passa pelo grau 5 [de estágio de calor] antes do asfalto. E o Observatório do Calor vai nos ajudar a provar isso. Temos moradias sem janela, em lugares sem sombra”, afirmou a secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, durante encontro na Casa Voz Alemão, nesta terça-feira (13).

O evento marcou o início do Observatório do Calor no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro. A iniciativa, fruto de parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) e o Voz das Comunidades, reúne pesquisadores, moradores e técnicos para monitorar a temperatura no território. O objetivo é identificar áreas mais vulneráveis às ondas de calor e orientar ações como distribuição de água, aumento da arborização e melhorias habitacionais. O projeto oferece bolsas-auxílio, capacitação e equipamentos, e funcionará como piloto para outras regiões da cidade.

Participaram da roda de conversa lideranças como Luise Valentim, Joice Bento, Erley Bispo, Josefa da Pedra do Sapo e Ana Tobossi. Ao abrir o encontro, Joice Bento, coordenadora de comunicação do Observatório do Calor CPX, destacou. “No dia 17 de fevereiro de 2025, o Rio de Janeiro ultrapassou o estágio 4 de calor. Aqui no Alemão, a temperatura chegou a 44 °C, com sensação térmica de 60 °C. Isso mostra a importância do movimento.”

A idealizadora Gabriela Conc, cofundadora do Voz das Comunidades, lembrou que o projeto nasceu de medições feitas em 2023. “Sempre soubemos que o calor não é igual para todos, mas agora vamos poder mostrar isso com dados, mapas e escuta. É um primeiro passo com muita potência.”

Para Gabriela, a proposta vai além de registrar temperaturas. “Queremos revelar desigualdades, provocar conversas e construir soluções a partir de quem vive o problema. É desafiador, mas inspirador ver como as pessoas se reconhecem nos dados e querem transformar o espaço onde vivem.”

Encerrando a discussão, Tainá reforçou. “A partir de agora, não será mais possível planejar intervenções em favelas sem entender que o acesso à natureza é tão essencial quanto à água ou à moradia. Essa é uma disputa que o favelado vem travando e que já se coloca como prioridade.”

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